DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Leonor Barros: «Rua abaixo, casas e flores de um lado e de outro, o sol a bater-me na cara, agarrei-o como pude e o texto veio conformado mas impaciente, as vírgulas irrequietas, as metáforas ansiosas e os adjectivos aflitos. Abro a porta apressada, estava mesmo mesmo a fugir-me, os textos fogem-me algumas vezes, arrebanho a primeira folha em branco, um lápis ali por perto e solto finalmente as palavras, vírgulas, adjectivos, metáforas e eufemismos. Apanhei-te, malandro.»

 

Eu: «Um grupo de manifestantes que protestasse nas ruas de Madrid ou de qualquer outra capital europeia contra a visita de um dirigente espiritual islâmico seria logo rotulado de “antimuçulmano”. Os participantes nessa manifestação ganhariam de imediato o epíteto de “islamófobos” e não faltaria quem sublinhasse a necessidade de combater ódios religiosos em nome da liberdade de crença e do respeito pela fé alheia. Tudo muda quando esse dirigente espiritual é o Papa. Os manifestantes passam a ser “laicos”, nenhum deles é descrito como anticatólico e muito menos como vaticanófobo.»

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