
Cláudia Köver: «O tamanho dos jornais alemães (sim, a largura, a altura e, até mesmo, a grossura) deixa tanto a desejar quanto a incapacidade dos habitantes da Deutschlândia em ver filmes nos quais a Júlia Roberts não fale em língua de cão. Pior do que ler estes jornais em casa – nesse caso a maioria de nós poderia forrar duas vezes o chão da habitação e decifrar cada uma das dezenas de páginas com um binóculo -, é lê-lo num avião.»
João Campos: «As associações discográficas acreditam mesmo que, sem pirataria, um tipo que antes descarregava ilegalmente da Internet dez álbuns por mês vai gastar cerca de 150 euros (preços de Portugal, estou a ser simpático) por mês nesses mesmos dez álbuns num formato completamente obsoleto como o CD?»
José António Abreu: «Génova é a cidade que falhou o Renascimento. Centro mercantil e financeiro tão importante como Veneza ou Florença, uma das quatro principais Repúblicas Marítimas (com Veneza, Pisa e Amalfi), Génova teve durante o século XIII apenas Veneza como rival (em particular depois de, em 1284, destruir a frota de Pisa na batalha de Meloria). Contudo, no século XIV a peste negra reduziu-lhe significativamente a população (se a peste teve efeito similar em Florença, Pisa, Siena e Milão, Veneza conseguiu ir mantendo o nível de habitantes, o que a ajudou a ganhar vantagem sobre as rivais) e no século XV, perdidas muitas colónias para o Império Otomano e o domínio do Mediterrâneo Oriental para Veneza, mostrava claros sinais de decadência. Voltou-se para Oeste. Ligada a Espanha, recuperou poder no século XVI, sendo, em meados desse século, o mais importante centro financeiro do Mediterrâneo.»
Rui Rocha: «Com a queda da consoante muda prevista no acordo ortográfico, erecção vai ficar mais curta.»
Eu: «Paris É uma Festa, sem dúvida o seu [de Ernest Hemingway] melhor livro de não-ficção. Um livro curiosamente escrito na primeira pessoa do plural, como se Hadley (que viu pela última vez na década de 30) tivesse estado a seu lado quando o escreveu. O que talvez explique o tom seco e lacónico de Mary Hemingway na pequena nota informativa que abre o volume: a viúva dificilmente suportou esta prova de que Ernest nunca deixou de estar apaixonado por Hadley, numa confirmação de que não existe amor como o primeiro. O que é tão válido para as mulheres como para as cidades.»
