
Ana Margarida Craveiro: «Ontem a Sic passou uma Grande Reportagem sobre gente que tinha dado a volta ao desemprego. Basicamente, apresentava casos de sucesso de gente que se recusou a desistir face à perda de emprego: um casal montou uma carrinha de lavagem de cães e gatos, outro montou uma empresa de limpezas, três ex-operários compraram as máquinas da fábrica fechada e são agora exportadores, e por aí fora. Nenhum omitiu a dificuldade da nova situação, nenhum falou em mares de rosas. Trabalham agora sete dias por semana, com uma responsabilidade enorme em cima dos ombros, mas trabalham. E levam dinheiro para casa.»
João Campos: «No Expresso: Democracia Verdadeira volta a ser exigida em Lisboa. Pergunta inocente: para os mentores deste “movimento” a “Democracia Verdadeira” é aquela em que todos debatem tudo e todos votam sobre tudo, mas na qual, à luz das explicações* do eufémio Guálter (a quem, com uma Justiça decente, a brincadeira do campo de milho teria saído cara), “a votação não é bem uma votação no seu sentido tradicional de contagem de votos, mas sim uma espécie de sondagem.” É isto a democracia verdadeira, não é?»
José Maria Gui Pimentel: «“(…) Saiu o Saramago e Eça de Queiroz (…) Aluno à saída do exame de Português.»
Rui Rocha: «Manhã de nervos. Prova de fogo. Teste com fogo real. Pelo visto, a coisa está mesmo muito séria. Nestes momentos, sinto-me um bocadinho envergonhado por não cumprir aquilo que parece ser o meu dever patriótico. Tendo em conta estes títulos, e outros do género, lidos na imprensa e ouvidos na rádio, por esta hora o meu coração devia alternar entre palpitações, arritmias e taquicardias. Nos dedos das mãos já não deviam existir unhas para roer. E o chão à minha volta devia estar atapetado por cabelos arrancados a esmo.»
Sérgio de Almeida Correia: «Enquanto não chega a renúncia de Fernando Nobre, visto que se Passos Coelho cumpriu com a palavra dele (demonstrando que a sua teimosia é igual à do outro senhor que saiu), também Nobre deverá cumprir com a sua. De caminho, talvez seja melhor o PSD começar a pensar em apresentar um candidato decente (isto é, minimamente qualificado) para poder presidir aos destinos da Assembleia da República nesta fase difícil que o País atravessa. A hora do recreio já acabou.»
Eu: «O fundador do PSD não sonhava com um país político monocolor: pretendia, isso sim, que as sérias divergências institucionais que manteve com o presidente Ramalho Eanes (divergências que partilhou com outros primeiros-ministros, como Mário Soares e Pinto Balsemão) fossem dirimidas com o reforço da componente parlamentar no singular sistema político português. Foi um combate que travou com frontalidade, em prol do que entendia serem os interesses nacionais.»
