
Ana Lima: «Berlusconi sabe que, por enquanto, face à falta de alternativas bem organizadas, por parte da oposição, ainda tem mais algum tempo para se manter à tona. Mas o discurso ameaçador não lhe fica nada bem.»
Ana Margarida Craveiro: «Não tivemos telejornais dedicados exclusivamente a espalhar o pânico sobre pepinos e tomates mal lavados, a entrevistar pessoas chegadas da Alemanha, e afins histerias comuns. Não se desenvolveu um especialista em bactérias em cada português. Graças à campanha, perdeu-se esta oportunidade. Ora ainda bem, alguma coisa de bom.»
Cláudia Köver: «A fragmentação da obra de três compositores contemporâneos, cuja sonoridade não embale todo e qualquer ouvido, e a sua reconstrução numa nova palete de sons e passagens, serviu de inspiração a este conceito. Admito ter cortado e recolado a obra alheia – à qual eu própria muitas vezes não dou ouvidos – e tê-la refeito a meu gosto, servindo agora de embrulho a esta crónica. No entanto, neste processo, jogou-se também a dança das influências entre a música e a escrita – e as letras acabaram por se adaptar à sua melodia.»
João Campos: «Se a possibilidade de o PSD eleger um deputado por Beja é reduzida – mas existente, os tempos estão estranhos -, então a probabilidade de o CDS conseguir tal feito é tão pequena que nem o acelerador de partículas do CERN seria capaz de a detectar. Se é certo que não votarei à esquerda (a única excepção a esta regra são as eleições para a minha junta de freguesia), resta-me decidir entre um voto útil – no PSD, na vaga esperança de “roubar” um deputado ao PS (e à CDU) – ou um voto mais convicto (falta-me uma palavra melhor, desculpem), mas inútil, no CDS.»
João Carvalho: «Por aqui se vê como os alemães não percebem peva da Europa. Alguma vez um português ia à Alemanha comer pepinos, com tantos legumes oblongos de primeira qualidade na própria terra? Se eu fosse a ministra Ana Jorge limitava-me a dar ordens para o impagável e omnipresente Francisco George fazer aquilo que ele mais gosta: acompanhar o caso. Mas desta vez é para acompanhar o caso a sério, não é para fazer as fitas do costume.»
José António Abreu: «Desconfio de muitas pessoas que rodeiam Passos Coelho e detesto os aparelhistas e os caciques do partido. Não gosto da falta de clareza que o CDS manteve durante a campanha em relação a vários assuntos delicados, incluindo possíveis cenários de coligação. Considero que nos últimos anos fez uma oposição mais coerente do que do que a do PSD e prefiro, apesar de tudo, a equipa que rodeia Portas, por inexperiente que seja – ou talvez por causa disso.»
Leonor Barros: «Depois de tanto se malhar no Sócrates, pergunto-me em quem se irá malhar depois de domingo à noite. É bom que se vá pensando num substituto sob pena de se sofrer uma insuportável síndroma de privação. Sete anos de bordoada não se esquecem facilmente e o homem é um animal de hábitos, diz-se.»
Luís M. Jorge: «Ligo a televisão e vejo uma ama, filmada à socapa, a espancar bebés, um fuzileiro a receber sopapos na camarata, uma Kátia a esfaquear uma Vanessa com dezassete golpes de x-acto, uma menina dos olhos da sua avó pontapeada no YouTube e um bife sovado até à morte pela boa juventude do Algarve — aparentemente porque era turista e andava na rua, coisa rara em Albufeira. As caixas do multibanco não têm tido mais sorte: são arrancadas, arrombadas, esventradas e sequestradas com abandono por veículos de alta tonelagem.»
Patrícia Reis: «Não lhe soube responder e o miúdo seguiu para o jogo da Fifa 11 com a descontracção de quem não sabe o futuro, já esqueceu o passado e o que lhe interessa é o golo do momento.»
Rui Rocha: «A governação de Sócrates, baseada na mentira, na ocultação, na manipulação estatística, no adiamento de decisões urgentes, em promessas feitas para nunca serem cumpridas, no facilitismo e na elisão da responsabilidade, representou um retrocesso civilizacional para o país. Tal bastaria para eliminar este PS do âmbito das decisões racionais. Deixemos, todavia, que seja ainda submetido ao teste do futuro.»
