DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Vidal: «Lanço um livro a 27 de Outubro, no Brasil, e temo muito que por lá também seja mundo. A não ser que o “servo de Deus” se tenha outra vez enganado nos cálculos. Com um bocadinho de sorte, talvez seja socialista.»

 

José Maria Gui Pimentel: «O tema do dia é sem dúvida a sugestão de Pedro Passos Coelho (PPC) em relação a um novo referendo à lei da interrupção voluntária da gravidez. Pessoalmente, talvez por andar farto deste tipo de questiúnculas, considero as reacções exageradas. As críticas a PPC têm apontado em duas direcções. Os partidos mais à esquerda ficaram melindrados por se poder sequer pensar num novo referendo. Trata-se da crítica habitual destes partidos, a mesma que já se ouviu anteriormente, e centra-se na questão do Aborto em si. No que diz respeito à sugestão, tecnicamente, um novo referendo faz tanto sentido quanto fez o último. Com efeito, se bem me lembro, o último referendo não teve, à semelhança do de 1998, carácter vinculativo.»

 

Leonor Barros: «Que se faça um referendo do referendo do referendo que foi a referendo a referendar do referendo que afinal não havia intenção alguma de que fosse um referendo. É que nem há mais nenhum assunto premente neste país de graçolas e engraçadinhos.»

 

Margarida Corrêa de Aguiar: «Miserável, é a única palavra que me vem ao espírito para condenar a atitude tomada pelos meritíssimos juízes do Tribunal de Contas na extinção das pobres pensões de sobrevivência das viúvas dos nossos embaixadores, aquelas que ainda teimam em viver com idades na casa dos 90-100 anos. E miserável é, também, o silêncio do Ministério dos Negócios Estrangeiros.»

 

Rui Rocha: «Há duas presenças esmagadoras na vida dos habitantes da Coreia do Norte. Uma diz respeito ao amor inquestionável pelo Querído Líder. No sentido de que esse amor não pode ser questionado. A outra é a da fome. De acordo com o Programa Alimentar Mundial, 6 milhões de coreanos estão à beira da morte devido a carências alimentares básicas. Entretanto, o regime mantém-se focado em salvaguardar alguns objectivos essenciais. Os militares devem continuar a alimentar-se adequadamente e à mesa do Querido Líder não podem faltar as habituais iguarias, nem o vinho da melhor qualidade. Morrer por amor é, na Coreia do Norte, uma expressão plena de significado.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Passos Coelho deve ansiar ver o défice e o FMI com outros olhos, mais alaranjados, e esse poderia ser um bom ponto de partida. De caminho talvez se poupasse ao incómodo de ter de formar governo e de enfrentar as sempre sóbrias críticas do Dr. Alberto João Jardim.»

 

Eu: «O PS, outrora a força partidária portuguesa com mais fecundo debate interno, reduziu-se há muito a uma câmara de louvores ao líder que teve o seu baptismo político como militante da Juventude Social Democrata. O último congresso socialista foi um esclarecedor exemplo de como neste partido hoje não se debate nada nem sequer se admite um erro: é a política a copiar as piores características de certos clubes de futebol, em perpétua e acrítica veneração aos líderes.»

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