
Bandeira: «Um velho muito velho e estragado encontrou o rei de França junto a um Mercúrio em bronze e entabulou conversa com ele. Sentaram-se nas conchas de uma fontezinha rococó com peixes encarnados e tritões de pedra e contaram as suas vidas um ao outro. O velho falou das imensas provações por que havia passado na sua muito longa existência; o rei, do seu extraordinário poderio. Quando já não tinham mais nada para dizer um ao outro, o velho perguntou ao monarca se trocaria de vida com ele. O rei de França respondeu: «O diabo seja cego, surdo e mudo!» E o pobre diabo ficou cego, surdo e mudo.»
Luís M. Jorge: «Portugal distingue-se por uma casta de pregadores que usam os dias santos para infernizar os raros prazeres mundanos dos seus compatriotas. Não há feriado móvel em que não saiam das caves, a espumar imprecações, dezenas de criaturas lívidas mobilizando-se contra as pontes, o consumismo, a ostentação e a alegria em geral.»
Rui Rocha: «Ciente de que o PS não merece continuar a governar, [Ferro Rodrigues] não hesita em afirmá-lo, apesar de ser o cabeça-de-lista do partido por Lisboa. O Futre que me desculpe, mas esta é verdadeiramente a cueca do século. E Sócrates deve ter ficado com os olhos em bico e os pés trocados. Exemplos de cidadania deste calibre, reconheça-se e lamente-se, há poucos na pobre democracia portuguesa. Mas, se virmos bem, outra coisa não seria de esperar de quem afirmou, na mesma entrevista, que o importante é “olhar para o futuro que aí vem”. Uma boa sugestão para mim e para si, leitor, que passámos a vida a olhar para o futuro que já veio. E que não volta mais.»
