DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Pedro Santos: «A nossa democracia enfrenta a sua mais grave crise económica, financeira e social. Uma crise que determinou a necessidade de assistência financeira externa para evitar, in extremis, uma situação de bancarrota do Estado e do sistema financeiro, colocando o país numa situação em que serão a União Europeia e o FMI a ditarem os aspectos essenciais das suas políticas económicas durante, pelo menos, os próximos três anos num contexto recessivo que – esperando sinceramente estar enganado – ameaça ser significativamente mais grave, quer para a actividade económica quer para o emprego, do que aquilo que indicam as pouco animadoras projecções já divulgadas.»

 

Rui Rocha: «De acordo com o DN, militares mexicanos mataram 10 narcotraficantes em instância turística. Como bem referiu a leitora  Raquel em comentário à dita notícia, pode bem ser que se trate de uma jurisdição de férias. Ou, acrescento eu, uma nova espécie de colónia penal.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Freitas do Amaral parece querer recuperar a dimensão pedagógica do discurso. Ele que conhece tão bem o peso de uma palavra pronunciada com boa dicção no momento apropriado. Por isso, aquilo que ontem disse de Teixeira dos Santos e José Sócrates podê-lo-ia ter dito mais cedo. Antes de estarmos assim. O peso da sua palavra foi perdendo fulgor fora dos manuais universitários. E de quem tem o seu currículo e responsabilidades não se esperava que chegasse tarde. Ou que precisasse, neste momento, de dizer que não vai votar em José Sócrates, assim como quem quer afirmar distância em relação ao proscrito. Na semana que atravessamos esse é um gesto muito pouco cristão.»

 

Teresa Ribeiro: «A democracia está para a política como o capitalismo está para a Economia. Não presta, mas é o melhor que se pode arranjar. Porém, quanto mais leio sobre as arbitrariedades e poder das agências de rating, mais me apercebo do absurdo a que chegámos. “Os mercados” são os nossos ayatollahas. Pairam acima de governos e bancos centrais, podem até aniquilar países, reduzir à pobreza nações inteiras, que ninguém lhes toca. Apesar de já terem dado provas da sua falibilidade e de o seu carácter amoral ser reconhecido por todos, o mundo continua a seguir-lhes os ditames.»

 

Eu: «Deixemo-nos de hipocrisias: na corrida aos candidatos independentes, [Fernando] Nobre era certamente o nome mais cobiçado. À esquerda e à direita. Socialistas e bloquistas gostariam de o ter também com eles, como já sucedeu no passado. Passos Coelho levou a melhor, os adversários políticos criticam-no. Tudo isto faz parte do jogo político e teria porventura alguma importância se o País não estivesse – como está – à beira da bancarrota.»

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