
Paulo Gorjão: «A notícia sobre a advertência de Aníbal Cavaco Silva aos partidos políticos lembra-nos, caso fosse necessário, que em Belém também se faz política e que não se paira por cima da paisagem de forma asséptica. A Presidência da República, de forma deliberada, revelou o teor de conversas mantidas em privado com os representantes dos diversos partidos, com a intenção clara de condicionar a agenda. Manobra de dissuasão, pura e dura.»
Eu: «Recordo o impressionante instantâneo daquele homem anónimo, de braços nus, enfrentando uma fileira de tanques, imortalizado pelo clique da máquina fotográfica de Stuart Franklin. Símbolo máximo da dignidade humana perante a força bruta – há duas décadas em Pequim, hoje no Xinjiang que teima em ser diferente. Quando ouço dizer à minha volta que já não existem heróis, lembro-me sempre daquele homem sem medo. Que outro nome haveremos de dar-lhe senão esse – o de herói?»
