DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Adolfo Mesquita Nunes: «Saio de casa, com a casa às costas, e entro na nova casa, onde a coloco. Cansado, não descanso. Agora que está tudo certo, é tempo de tirar os livros encaixotados, ao acaso ou por comodidade de tamanho, e inventar uma nova ordem. O pior só agora começou.»

 

Patti: «Foi despedida, exactamente dez minutos, antes da sua hora de saída do escritório. Com efeito imediato. E nem precisou de dar dias à empresa. Arrumou tudo mecanicamente. Não teve tempo de dizer adeus à colega das fotocópias. Nem do rapaz dos cafés. Ficara mesmo sem saber o nome dele. Seis meses ali a trabalhar e nem lhe sabia o nome. Estava agora na rua, numa noite fria de Outono baço, à espera do metro.»

 

Rui Rocha: «Quer no caso do BPN, quer no do buraco das empresas públicas de transportes, a responsabilidade existe e os portugueses vão ter que a pagar. Tal como vai acontecer relativamente às parcerias público-privadas. Chegado à governação, o Professor de Finanças decidiu converter-se no Professor Mandrake. O dia de hoje marca o fim da ilusão. Sócrates e Teixeira dos Santos ficarão na história de Portugal por terem protagonizado um projecto consumado de co-incineração das contas públicas.»

 

Eu: «Ataturk, na guerra contra os gregos, proclamava aos seus homens: “Eu não vos ordeno que ataquem. Ordeno-vos que morram.” Por vezes parece que Sócrates ordena o mesmo a alguns dos seus ministros. Com uma diferença assinalável: o líder turco foi capaz de ganhar a guerra.»

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