DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Alexandre Borges: «Somos órfãos de nós mesmos. Não procuramos líderes políticos; ansiamos por um pai. A admiração que temos por quem fala alto é a confissão embaraçosa da nossa menoridade enquanto sociedade; o apreço pelas maiorias absolutas a revelação da nossa falta de talento para a democracia. Somos agressivos quando protegidos pela carroçaria do carro ou pelo anonimato da net. Vilipendiamos em mau português até o visado nos olhar nos olhos. Não precisamos de um governo. Precisamos de tomates.»

 

João Campos: «Não admira que a Apple não precise de investir muito em publicidade. Não precisa. Aos fanboys habituais, que defendem a marca da maçã com um fervor digno de um cruzado medieval, juntam-se os media e o seu turbilhão de euforia mediática. Compreendo muito bem a importância dos temas de tecnologia na agenda mediática, assim como percebo a relevância da Apple: goste-se ou não (e não é isso que está em causa), os seus produtos são incontornáveis. Só me incomoda ver o jornalismo virar evangelista.»

 

Rui Rocha: «O primeiro-ministro convocou hoje os jornalistas para entoar o canto do cisne. Sócrates sabe que a situação actual é insustentável. Acredito que chegou a convencer-se, ao longo destes anos, que a sua governação reluzia. E que ele próprio era de ouro. Perdido o brilho ilusório, sobra-lhe a lata. Hoje, mais uma vez, ensaiou o seu número favorito. Vitimizou-se e atribuiu a responsabilidade da situação actual à oposição. Por isso, é preciso recordar-lhe que em  Novembro de 2004, Jorge Sampaio deu início a um processo de dissolução da Assembleia da República. Foram convocadas eleições antecipadas. Nessa ocasião, os juros não dispararam para níveis socratosféricos e as notações das agências de rating não se precipitaram para o abismo.»

2 comentários em “DELITO há dez anos”

  1. é preciso recordar-lhe que em Novembro de 2004, Jorge Sampaio deu início a um processo de dissolução da Assembleia da República. Foram convocadas eleições antecipadas. Nessa ocasião, os juros não dispararam para níveis socratosféricos e as notações das agências de rating não se precipitaram para o abismo.

    Demagogia barata. Em 2004 viviam-se tempos de euforia financeira. Ninguém ligava à solvabilidade do Estado português. Em 2011 estava-se na crise das dívidas soberanas europeias, e a sensibilidade a qualquer insolvabilidade era enorme.

  2. (Re)Leio habitualmente os textos evocados nesta rubrica e foi uma sensação curiosa, ao ler os comentários ao texto do João Campos, perceber que… aquele João Sousa sou/fui eu. Como era tão novinho e cheio de expectativas (e cabelo!) aquele João Sousa…

    Pelo menos este detalhe, em dez anos onde cabe tanta coisa, permaneceu imutável: estou a escrever isto no mesmíssimo computador em que escrevi aquilo – o meu inabalável Mac Mini de 2009.

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