DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Margarida Craveiro: «Agora é o défice de 2010 que parece ser ainda maior. As aquisições de bens e serviços subiram. As grandes obras que iam ser repensadas nunca foram sequer postas em causa. Fomos de irresponsabilidade em irresponsabilidade até à necessidade de um pedido formal de ajuda. Não só nos hipotecou o presente, como também hipotecou parte do futuro. Mas já basta. Hoje, provavelmente, o governo cairá. O amanhã será muito mais difícil, depois de percebermos o que ficou deste país debaixo de tanta camada de mentira e dissimulação. Mas será um bocadinho mais livre, porque terá os pés assentes na realidade.»

 

Ana Vidal: «Quem tem medo de Virgínia Woolf? é o esplendor e a miséria da condição humana vista à lupa, à nossa disposição durante uma hora e meia. E nada nos perturba mais do que aquilo que nos serve de espelho. Nas palavras do próprio Edward Albee, “o Teatro do Absurdo serve para que possamos mergulhar um pouco mais nas nossas próprias loucuras e deixar de ver as dos outros com tanta supresa”.»

 

André Couto: «Só oiço os comentadores a falar no Governo e na oposição. Passos Coelho acha que tem uma auréola e não percebe que ninguém o vê, convictamente, como solução para nada, nem para substituir os tais “socialistas”. A extrema-esquerda continua fechada no “não governamos”. Portas ainda não falou.»

 

João Campos: «Vai para três semanas que tento ir visitar a terra, sem sucesso. A CP decidiu meter férias em Março, que é como quem diz, decidiu fazer uma greve intermitente que, para cristalizar a minha crença nas Leis de Murphy, tem “suprimido” os únicos comboios que posso apanhar para Sul sem necessidade de faltar ao trabalho (o último de sexta e o primeiro de sábado). Tem sido irritante, é verdade, mas também tem um lado positivo. Com a crise que para aí vai, se de repente avistar uma luz no fundo do túnel posso respirar de alívio. Um comboio não será de certeza.»

 

Paulo Guinote: «Portugal precisa de uma revolução qualquer, das antigas ou das modernas. Televisionada ou não, como escreveu Joe Trippi ou cantou o Gill Scott-Heron, convocada por tuítadas ou por mensagens de um qualquer Manelinho. Ampliada pelo Facebook ou pelo megafone do Jel. Precisamos que isto mude. Depressa. Ontem, se possível.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «O Presidente da República quer manter-se rigorosamente equidistante em relação aos partidos. Tão equidistante que numa altura de crise se limita a gerir silêncios e a brincar no Facebook e na página da Presidência. Os partidos vão-se mantendo equidistantes entre si.  Da direita à esquerda querem todos manter as equidistâncias. O país mantém-se equidistante dos partidos. Os políticos equidistantes dos portugueses. A política equidistante da realidade.»

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