DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Margarida Craveiro: «Dou por mim a ver mais séries de televisão do que a ir ao cinema. Olho para os cartazes, e não tenho vontade de ver nada. Filmes para crianças, na sua maioria, desinteressantes, ocos. Por outro lado, vejo a secção de séries em DVD, e quero comprar, e rever os episódios vezes sem conta. A “culpa” é da HBO, que faz verdadeiros filmes de seis ou sete horas.»

 

André Couto: «A política no Partido Socialista deixa de ser algo previsível e aquilo que era verdade ontem passou a ser hoje mentira, o que é especialmente grave tendo em conta que se trata de opções de destino de vida e de carreira feitas por muita gente.»

 

Cristina Ferreira de Almeida: «Hoje o rapaz que veio da Madeira encheu-me de orgulho. No meio daquela bizarra cerimónia no estádio do Real vejo-o dar a volta à arena cheia com milhares de pessoas ao som do seu cântico de guerra: “Já sei que vou arder na tua fogueira / Mas será sempre, sempre à minha maneira.” A maneira do miúdo é esta. Matar ou morrer. Contra tudo e contra todos. É má literatura? Talvez, mas depois do lambe-botismo de Saramago, ouvir um estádio cheio de castelhanos a cantar Xutos e Pontapés soube-me a Dostoievski.»

 

João Carvalho: «Sócrates acaba com os candidatos duplos, mas não tem mão nos candidatos ambíguos. A única vantagem que retira é a de todos eles lhe mostrarem os dentes. Uns a sorrir, outros a rosnar.»

 

Jorge Assunção: «No filme em causa, o presidente norte-americano alcançou o cargo por ser uma vedeta do futebol americano e a população pouco mais faz do que consumir fast food, passar os dias frente a um televisor e frequentar arenas desportivas. A este ritmo, lá chegaremos.»

 

José Gomes André: «A questão não é um mero confronto entre “agir” e “nada fazer”, mas antes saber em que áreas e em que circunstâncias é do interesse público agir, o que por sua vez pressupõe a possibilidade de não se intervir nalguns casos e de se intervir noutros. Enquanto não nos livrarmos da falácia inerente àquela retórica “socrática”, nunca efectuaremos um verdadeiro debate sobre as reais necessidades do país e de como as mesmas podem ser solucionadas.»

 

Paulo Gorjão: «Quem quer continuidade, o PSD oferece continuidade. Quem quer ruptura, o PSD dá ruptura. Quem disse que não era possível fazer a quadratura do círculo?»

 

Sérgio de Almeida Correia: «O carreirismo e o funcionalismo partidário, dentro e fora do PS, só têm servido para criar castas de políticos acomodados e serventuários do poder, cujas carreiras políticas são movidas pelo desejo de promoção social, de estabilidade no emprego ou de aquisição e manutenção de privilégios a que de outra forma nunca aspirariam.»

 

Teresa Ribeiro: «Como é que vai ser quando chegar o Outono e com o cair da folha começarem a cair nas urgências milhares e milhares de utentes com gripe e com medo da gripe, já para não falar dos excêntricos que em plena pandemia vão desaguar nos hospitais com enfartes, apendicites e outras maleitas, completamente em contraciclo? Não dá para imaginar.»

 

Eu: «Nestas férias consegui ler onze livros – alguns deles muito bons. Nenhum, por sinal, do grande vulto da literatura portuguesa que, profundamente enojado com o País, admite rumar de vez ao Brasil e ficar lá para sempre, longe deste rectângulo que lhe garantiu (diz ele) um milhão de leitores. Mal empregada popularidade, recebida com tanto desdém e tanta sobranceria.»

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