DELITO há dez anos


Pedro Correia,

21523202_SMAuI.jpeg

 

Bandeira: «Há precisamente trezentos anos, o alemão Händel estreava a ópera italiana Rinaldo num palco inglês. O clip em baixo é do filme Farinelli, de Gérard Corbiau (se tem mesmo de saber, belga). Quem cantou esse Lascia ch’io pianga na estreia de 24 de Fevereiro, contudo, não foi o idolatrado castrato italiano, mas uma tal Isabella Girardeau; um estrondo, apesar das críticas mete-nojinho nos jornais do dia seguinte.»

 

Bruno Faria Lopes: «Portugal não é um país adolescente – longe disso. Em Portugal como noutros países ocidentais, o desafio é gerir a implosão demográfica. O país será cada vez mais velho: o índice de dependência de idosos, que em 2001 era de 24,1% será de 58% em 2050 (quando eu for um “idoso”), segundo o cenário base do INE [isto é o peso das pessoas com mais de 65 anos na população entre 15 e 64 anos]. Num cenário destes será cada vez mais o interesse dos mais velhos a ditar nas urnas para onde vai a política pública – não se trata aqui de pôr “velhos contra novos”, mas sim de constatar uma tendência perigosa. Mais: este envelhecimento convive com a explosão total da sociedade do entretenimento, ideal para o adormecimento colectivo, sobretudo dos jovens (como já hoje se percebe – Aldous Huxley tinha razão).»

 

Luís M. Jorge: «A Europa, que negou à Turquia a entrada na União (eram pretos, eram árabes, cheiravam mal), que negociou cordões de segurança com a Líbia para conter a imigração ilegal (eram pobres, eram porcos, falavam alto) manifesta agora a sua comoção perante um povo que se levanta pela liberdade e pela justiça, nas palavras meigas de Rompuy. De um dia para o outro fechamos a tenda, espantamos os camelos e mandamos o líder carismático para a puta que o pariu. A festa estava boa mas há um povo que se levanta, Muamá.»

2 comentários em “DELITO há dez anos”

  1. Dez anos passados…

    1. Os poderosos, com os actuais avanços na bio-regeneração celular (ver, por ex., a empresa “Re-Anima”), que facilmente os levará aos 200 anos de idade, alguma vez vão querer não ser velhos, ou deixar o poder que possuem? Esse prognóstico não é subestimar o efeito humano no determinismo biológico?

    2. Onde está essa coisa que designam por “Europa”? Começa em que marco geodésico e acaba em que sítio? Não foi esse imaginário durkheimeano, do “Social como uma coisa”, um erro ideológico e de concepção?

  2. será cada vez mais o interesse dos mais velhos a ditar nas urnas para onde vai a política pública

    Claro. É o que está a acontecer na atual epidemia, em que para salvar a vida de velhos se sacrifica insensatamente os jovens. E isto é ainda pior quando, como acontece em Portugal, os políticos que gerem o país são quase todos velhos ou mesmo muito velhos.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *