DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Carvalho: «O inenarrável secretário de Estado Valter Lemos disse ainda há pouco tempo uma não-verdade ao garantir que o desemprego tinha estabilizado. Acabámos de saber que o emprego registou um não-crescimento e uma não-estabilidade. A ministra do Trabalho já garantiu que vai não-baixar os braços e Valter Lemos enrugou ainda mais do que o costume a testa baixa para explicar que é impossível encarar uma não-continuação das medidas muito intensivas em curso — que têm demonstrado uma não-eficácia.»

 

José Luiz Sarmento: «O que a geração outrora rasca está a descobrir – aqui, no Egipto, na Irlanda, na Austrália, no Japão – é que as armas pequenas podem ser mais eficazes que as grandes, e as organizações efémeras mais efectivas que as permanentes. Nada nos garante que um dia destes um adolescente, sentado a um computador na Nova Zelândia ou na Escócia, no Cairo ou em Bogotá, não desactive só por desfastio todos os sistemas informáticos dum porta-aviões, transformando-o por algumas horas num monte enorme de sucata flutuante.»

 

Rui Rocha: «Experimente. Primeiro, entranha-se. Depois, parece que nunca mais se desentranha. Tenho a certeza de que não vai gostar. É provável que pretenda deitar fora. Mas, nesse caso, vai ter de esperar pela moção de censura apropriada.»

 

Eu: «Todas as ditaduras são más. A de Cuba, a da Coreia do Norte, a do Zimbábue, a do Irão – e a que acaba de ser derrubada no Egipto. Se amanhã a ditadura iraniana caísse, seria um motivo de alegria e de congratulação para todos os democratas. Como o é hoje a queda da ditadura egípcia. Não podemos ser democratas até metade da bacia do Mediterrâneo e “compreender” a ditadura na outra metade.»

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