DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Margarida Craveiro: «Neste pacífico canto, é mais fácil uma mulher ser assassinada em violência doméstica do que nos perigosos EUA. Foi o que descobri com umas continhas muito simples: nos EUA, para uma população de 300 milhões, morrem quatro mulheres por dia. Aqui, foram 43 o ano passado. A diferença não é grande, mas existe. O país pacato é um mito. O país real tem mulheres mortas à facada, com ácido, com tiro, com marretadas. E com um pormenor de particular crueldade: algumas das que morreram tinham pedido ajuda às autoridades. O país real está cheio de ódio.»

 

Filipe Tourais: «O Governo anunciou cortes nos apoios a conceder aos colégios com contratos de associação situados perto de escolas públicas, mas apenas para as novas turmas de início de ciclo de estudos. Com escolas e professores a mais e com uma restrição orçamental que estrangula todos os sectores, não apenas o da Educação, é pouco. Havendo que cortar, então, haverá que escolher entre manter os professores do público, seleccionados através de critérios objectivos de um concurso realizado a nível nacional, ou manter professores do privado, seleccionados segundo os critérios das preferências de quem dirige os colégios respectivos e convida quem seja mais do seu agrado.»

 

João Campos: «Eu, que faço parte da geração “retratada” na agora famosa música dos Deolinda, vejo as reacções e dou por mim a pensar: não pode haver muita fé numa geração que precisa de uma música para perceber, passe a expressão, que há algo podre no reino da Dinamarca.»

 

João Carvalho: «A recente declaração de Jerónimo de Sousa sobre a possibilidade de alinhar numa moção de censura ao Governo provocou esta reacção curiosíssima a um socialista: «O PCP nunca hesitou em tentar derrubar o governo do PS.» Quem foi, quem foi? Claro: o inenarrável Vitalino Canas. É certo que Canas nunca se destacou como um iluminado, mas devia haver limites. Alguém que esteja por perto se importa de lhe dar uma ideia da quantidade de gente que não tem a mais pequena hesitação para fazer o mesmo e que nem sequer tem o costume de se deixar embalar pelas posições de Jerónimo de Sousa?»

 

José Gomes André: «Desde O Código Da Vinci que não via tanto entusiasmo por coisa tão inócua. A nova música dos Deolinda já serviu para centenas de textos, mobilizações e “reflexões”, e parece que há quem lhe chame “hino” não-sei-do-quê. Se não chegasse a instrumentalização que dela fez a extrema-esquerda para me desinteressar, bastar-me-ia a pobreza do objecto em causa, que alude a problemas vagos e não se esforça por apontar uma única saída. Para “hino”, convenhamos que é pouco.»

 

Laura Ramos: «Emergiu de um bar engraçado quando já eram quase 3 da manhã, afinal era sexta-feira e no dia seguinte, por mero acaso, não teria de madrugar. Chegou a casa e perdeu tempo a revolver o carro, em busca do iphone que não encontrava (andava sempre a perder-lhe o rasto, de tão pesado que era, maldita a hora em que trocara o seu fiel blackberry). Mas ultimamente era assim, não sabia onde deixava nada, tamanho o cansaço. Ou a distracção. Ou a preocupação.»

 

Eu: «No passado dia 30, um actor já de idade visivelmente muito avançada mas com passo ainda vigoroso subiu ao palco para receber o prémio de carreira que lhe foi atribuído em Los Angeles pelo Sindicato dos Actores norte-americanos. Muitos cinéfilos mais jovens não saberão, mas estava ali uma lenda viva do cinema: Ernest Borgnine, ainda em actividade após ter participado em clássicos da Sétima Arte como Até à Eternidade (1953), Johnny Guitar (1954) e A Quadrilha Selvagem (1969). A vida de Borgnine dava um filme.»

Um comentário em “DELITO há dez anos”

  1. Neste pacífico canto, é mais fácil uma mulher ser assassinada em violência doméstica do que nos perigosos EUA. Foi o que descobri com umas continhas muito simples: nos EUA, para uma população de 300 milhões, morrem quatro mulheres por dia. Aqui, foram 43 o ano passado.

    Se nos EUA morrem 4 mulheres por dia, então morrem 1460 mulheres por ano. Tendo em conta que a população dos EUA é 31 vezes superior à portuguesa, isso corresponderia a 47 mulheres por ano em Portugal. Mas em Portugal só morrem 43. Assim, é falso que “Neste pacífico canto, é mais fácil uma mulher ser assassinada em violência doméstica do que nos perigosos EUA.”

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