
Ana Sofia Couto: «É um livro que eu gostava de ler. Segundo a apresentação que encontramos na página da Almedina, o argumento de Amartya Sen parte da ideia de que não precisamos, para fundamentar uma teoria sobre a justiça, de um modelo de organização social ‘perfeitamente justo’.»
João Carvalho: «Leio no Correio da Manhã que «Angélico Vieira compra carro de 171 mil euros». Este título desperta-me a atenção. Vou ver. Certo. É um Audi R8. Se calhar tenho obrigação de saber quem é o homem, mas confesso que não sei. Por mim, o título era diferente: “Carro de 171 mil euros comprado por desconhecido”. Que agora já deve ser conhecido. Pudera. Assim também eu.»
Laura Ramos: «A Universidade Católica Portuguesa conferiu a António Barbosa de Melo o grau de doutor honoris causa. Foi na passada sexta-feira, no âmbito da celebração do Dia da Universidade, cuja divisa (gosto de reparar nestas coisas) encontrou neste caso sobre que me detenho a sua plenitude expressiva: Veritati (pela, para a Verdade). Nenhuma palavra, entre milhões de outras, se adequaria mais a este acto. Nem a este Homem.»
Rui Rocha: «Através do Correio da Manhã ficámos a saber que Renato Seabra passa a maior parte do tempo fechado à chave. Confirmam-se assim as piores suspeitas. Estar preso constitui uma clara limitação à liberdade! Sobretudo quando fecham a cela à chave. Temo até que a prisão tenha muros. Nesse caso, teremos que concluir que a prisão é tal e qual uma prisão.»
Eu: «Nunca vi tantos democratas na bloga em defesa tão denodada de um ditador, sugerindo que depois só pode vir o caos. Alguns, talvez por mero acaso, são os mesmos que elogiam Israel por ser “a única democracia do Médio Oriente”.»

Juntar, deste modo — Eu, Rui Rocha, Laura Ramos, João Carvalho e Ana Sofia Couto — como disse Slavoj Zizek, em 2002, no seu livro «Bem-Vindo ao Deserto do Real», “é recolocar os eventos e as opiniões no contexto dos antagonismos”. Seria essa a tarefa obrigatória da “Crítica” pós-moderna.
O exemplo mais paradigmático, de um exercício deste tipo, talvez seja o uso do “Der Ode an die Freude” (Hino à Alegria, de Beethoven). Pois além de ser atualmente o hino oficioso da União Europeia, foi usado por todos os que foram confessos inimigos ideológicos. Concretamente Romain Rolland (“a Marselhesa da humanidade”), Ian Smith (no regime do apartheid na Rodésia), Hitler (nas Reichmusiktage), Estaline, Abimael Guzman (Sendero Luminoso), Bush, Saddam, etc. (Pedro Manuel-Cardoso)