
Cristina Torrão: «Embora, nos últimos anos, tenha havido um certo esforço por parte de alguns historiadores e arqueólogos, não existem obras profundas sobre o período islamita em terras portuguesas. Quem eram os líderes islâmicos que aqui dominaram durante quatro séculos? Quais os seus contributos para o desenvolvimento das regiões, da cultura, etc., etc.? Sabe-se, por exemplo, que os mouros possuíam conhecimentos muito mais avançados do que os cristãos. Com as suas invenções, como a nora e outros sistemas de irrigação, que incluíam canais subterrâneos, fizeram florescer a agricultura em regiões inóspitas. Traduziram as obras dos filósofos e médicos gregos da Antiguidade para o árabe e, a partir daqui, para o latim, permitindo à Cristandade entrar em contacto com escritos esquecidos desde o desmoronar do Império Romano.»
João Carvalho: «A 4 de Fevereiro de 1961, uma conjugação de acontecimentos em Luanda volta a abalar o Estado Novo. Desta feita, o abalo é para durar: formalmente, marca o início da longa guerra que Portugal vai travar nas colónias africanas, a que o regime vai chamar Guerra do Ultramar (para dar sentido ao fim da designação de “colónias” e à sua consagração, irrelevante, como “províncias ultramarinas”). A data é tão importante para Angola que o aeroporto de Luanda, depois da independência, vem a receber o nome de Aeroporto 4 de Fevereiro.»
Rui Rocha: «Uma a uma, vão caindo todas as bandeiras dos Governos de Sócrates. Na área da Educação, A Escola a Tempo Inteiro, a Área de Projecto, o Estudo Acompanhado, os CEF e os EFA tinham o evidente objectivo de prolongar a ligação dos alunos e dos formandos à escola. Por mais horas e durante mais anos. Em 2011, com o implodir de muitas dessas medidas, o prolongamento da ligação aos estabelecimentos de ensino será assegurado, sobretudo, pela abertura das cantinas de muitas escolas aos fins-de-semana para que os alunos mais carenciados não passem fome. É toda uma nova abordagem de profundo sentido pedagógico e educativo. Ao eduquês sucede o sopadopobrês.»
Eu: «O prodígio de Alfred Hitchcock nesta sua obra-prima – que a miopia da Academia de Hollywood deixou à margem das nomeações para o Óscar – é transformar quase toda a acção física em mera acção visual num dos filmes mais “invisíveis” de que há memória (suprema ironia: por questões relacionadas com direitos autorais, Rear Window permaneceu 30 anos longe dos olhares dos espectadores). Somos o que vemos – e aqui somos todos voyeurs. Jeffries e nós, cada um dos espectadores. E também Stella e Lisa e até Tom Doyle, o céptico inspector de polícia. “Fazemos muitas coisas em privado que não expomos em público”, diz ao amigo fotógrafo, com aquela filosofia prática de quem não se deixa iludir pelas aparências.»

Sabe-se, por exemplo, que os mouros possuíam conhecimentos muito mais avançados do que os cristãos. Com as suas invenções, como a nora e outros sistemas de irrigação, que incluíam canais subterrâneos, fizeram florescer a agricultura em regiões inóspitas. Traduziram as obras dos filósofos e médicos gregos da Antiguidade para o árabe e, a partir daqui, para o latim, permitindo à Cristandade entrar em contacto com escritos esquecidos desde o desmoronar do Império Romano.»
Estes equívocos têm muito mais de 10 anos — são análises ideológicas. Não há história sobre os Mouros porque eles, de facto, não deixaram nada senão azulejos e burras amarradas a uma nora para tirar água de um buraco. Falam em “noras” fosse se estivessem a falar de obras portentosas de engenharia, mas qualquer labrego tira água de um buraco. Não havia “avanço” nenhum na cultura árabe, porque eles não são de “avançar” e não trabalham. São comerciantes. Eles vendem, não fazem. Sempre foi assim. E ninguém traduzia do grego para o árabe para traduzir depois para latim. Qual seria a lógica? Isto é tudo conversa de esquerda para louvar o islão e amar aquela macacada fascista. Se eles fossem mais avançados teriam continuado a ser mais avançados e não estariam hoje como estavam naquela altura.
Estes equívocos têm muito mais de 10 anos — são análises ideológicas.
A sua análise é que me parece muito ideológica.
Mas não é — limitei-me a constatar o óbvio: que os mouros (não são árabes, eram sarracenos) não deixaram cá nada de essencial a não ser a mania das barracas e a aldrabice que muito precisamente começa por al-
qualquer labrego tira água de um buraco
Todas as coisas são muito fáceis de entender quando já se entendem. Todas as coisas são muito fáceis de compreender quando já foram inventadas.
Quem eram os líderes islâmicos que aqui dominaram durante quatro séculos?
A vila de Marvão foi fundada pelo líder Ibn Marwan (que quer dizer “filho de Marwan”), da qual tirou o nome.
Maravilhosamente retratado para a posteridade por João Cutileiro.
Nuestros hermanos de Badajoz roem-se de inveja…
E então?!
– Como é que se fazia os portugueses florescerem a agricultura e a flora, nessas zonas inóspitas, sem a burra amarrada à nora, se os árabes não nos deixassem essa artimanha? Como é que aprendiam a fazer irrigações tão precisas para a cultura das regiões?
Como é que aprendiam os portugueses, esse grande dom de serem comerciantes, trafulhas e aldrabões?
Em que é que tantos portugueses são tão diferentes assim dos mouros ?? Irmãos gémeos. Nada que os distinga… !!