DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Adolfo Mesquita Nunes: «A ministra da Educação diz que é indigno usar crianças em protesto. A participação das crianças no protesto é “indigna, acima de tudo, porque se utilizaram crianças, o que é o exemplo do que não se deve fazer nunca quando o objectivo é a educação”, diz a ministra. Supõe-se que a indignidade a que se refere a ministra esteja relacionada com a gratuitidade da participação das crianças, já que, se bem me recordo, o Governo socialista nada tem contra a contratação de criançascomo figurantes em apresentações de planos tecnológicos e outras coisas que tais…»

 

Bandeira: «O Mundo é um grande livro em que tudo está já escrito, mas com uma péssima caligrafia.»

 

Fernando Sousa: «Já nem é essa cena (já escrevo como se fala no secundário) do vazio que fica quando morre um homem que deixou obra; é mais por causa desse cancro que é a desmemória, doença dos media comuns que passou também para a blogosfera. Isto por causa da morte de tatic, que quer dizer padre em tzotzil, Samuel Ruiz, o bispo dos direitos indígenas de Chiapas. Quando todos vestiram as suas fardas e pegaram nas suas armas, ele vestiu a sua, a batina, e usou como ninguém a palavra. Quando todos as despiram, ele nem tirou a sua nem deixou de falar.»

 

João Carvalho: «”O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, pediu hoje desculpa aos eleitores que tiveram dificuldades em votar no domingo”, segundo notícia da SIC online. E os outros? E aqueles que tiveram mais do que dificuldades em votar? Aqueles que tentaram e não conseguiram mesmo votar? Não merecem também um pedido de desculpa? Fico sem saber se foi o ministro que andou mal ou se foi o jornalista que não entendeu. Fico sem saber, mas fico desconfiado, porque leio depois o seguinte na mesmíssima notícia: “No domingo, muitos eleitores tiveram dificuldades em votar”. Dois dias depois, o jornalista não sabe que muitos eleitores não puderam mesmo votar?»

 

Luís Paixão Martins: «Três dos quatro melhores resultados seguintes são de sociedades com uma reverência educacional para o legado de Confúcio: Hong Kong, Singapura e Coreia do Sul. Nos melhores dez, a única presença alheia ao confucionismo é da Finlândia. Estes indicadores atestam que, ao contrário do que somos levados a supor no velho mundo, são as sociedades dos novos desenvolvimentos que mais apostam na educação dos seus jovens, assim como são os pais das gerações aspiracionais que mais importância dão à formação académica dos seus filhos. E, pelos vistos, com resultados. Por isso, embora apenas alguns de nós tenhamos vindo viajar com Fernão Mendes Pinto até ao fim do mundo, todos estamos a viver o fim do mundo a que estamos habituados.»

 

Teresa Ribeiro: «Será que os traumas resultantes de abusos sexuais continuados durante a infância também prescrevem? Esta a dúvida que seria razoável esperar por parte do legislador. Mas se calhar também há qualquer coisa que prescreve na sensibilidade das criaturas que legislam sobre crimes desta natureza. Crimes que por serem malditos são regulados por leis a condizer.»

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