
Ana Vidal: «Felizmente, esta esquizofrenia presidencial está mesmo a chegar ao fim. O meu lado alegre e nobre esteve quase, quase a sucumbir à vontade de armar em chico esperto, tirar um coelho da cartola sem dar cavaco a ninguém, e virar um defensor monárquico. Há limites para a resistência humana.»
Bandeira: «Deus sabe tudo o que aconteceu no passado, tudo o que está a acontecer no presente e tudo o que vai acontecer no futuro, o que pode ajudar a explicar um certo desinteresse.»
Fernando Sousa: «A Síndrome de Estocolmo é um estado psicológico típico nalguns casos de sequestro. Leva os reféns, cujo número naturalmente é variável, a desenvolverem simpatia pelos sequestradores, cuja classe também varia. No pico da doença, defendem-nos mesmo. Mas neste instante nacional não deve vir a propósito, até porque vivemos em liberdade. Né? Deixem.»
Francisco Castelo Branco: «A China tem um problema grave de respeito pelos direitos humanos, no Qatar as mulheres ainda escondem a cara, no Brasil e Índia existe uma enorme desigualdade social. Tudo isso não importa quando se trata de injectar dinheiro para que se possa cumprir o défice. Assim estes países vão tomando conta do Mundo e lentamente constituem-se como uma força política cada vez mais influente. No dia em que a economia norte-americana precisar da ajuda destes países, estaremos perante uma nova realidade. A todos os níveis.»
João Carvalho: «A 21 de Janeiro de 1961, o paquete Santa Maria chega à Venezuela numa viagem rotineira. Entre os passageiros que embarcam há um punhado ainda insuspeito de activistas, comandados por um grupo luso-espanhol de revolucionários. Está posta em marcha a “Operação Dulcineia”. O ousado e inédito golpe centra-se no ex-capitão Henrique Carlos da Malta Galvão (1895–1970). A operação é de natureza política — visa abalar Salazar e o Estado Novo — mas em Lisboa é oficialmente considerada um acto de pirataria. A atitude, porém, não impede que o regime salazarista salte para as primeiras páginas da imprensa ocidental, começando a desfazer-se a ideia enraizada em muitos meios internacionais de que os portugueses aceitam conformados o salazarismo, sem oposição digna de nota.Aliás, o “assalto ao Santa Maria” só abusivamente pode ser considerado um acto de pirataria, pois colide com as normas do Direito internacional, que consagram um barco como parte do território do país a que pertence.»
José Gomes André: «Os próximos dois anos serão muito exigentes. Obama terá de lidar com uma Câmara dos Representantes hostil e com um Senado volátil. Será forçado a virar-se para o bipartidarismo, sem contudo perder a sua posição de “líder político”. E necessitará de cooperar com o adversário, ao mesmo tempo que prepara a sua campanha de reeleição. Tempos difíceis esperam o Presidente.»
Sérgio de Almeida Correia: «Estamos a menos de quarenta e oito horas da abertura das urnas onde serão depositados os votos que irão eleger o próximo Presidente da República. Um dos grandes políticos da Antiguidade Clássica dizia que aquele que não participa na vida da república não é digno do seu estatuto de cidadania. Eu apenas acrescentaria que não é digno da sua liberdade.»
Teresa Ribeiro: «Interessante, esta campanha em que o principal tema de discussão foi: “Para que é que eles servem?”»
Eu: «ABSTENÇÃO – Palavra-chave. Uma abstenção recorde prejudicará seriamente Cavaco nestas presidenciais. É outra maneira de exprimir um voto de protesto.
BPN – A sigla que dominou a campanha. Num país mergulhado na mais grave crise económica de que há memória devia ter sido outra: FMI.
CAMPANHA – Os portugueses cada vez vibram menos com campanhas eleitorais. Isso nunca foi tão notório como nesta.
DIREITA – Como aconteceu nos últimos 25 anos, Cavaco neutralizou-a e deixou-a refém dele próprio. Em troca de quê? A direita que responda»

no Qatar as mulheres ainda escondem a cara
No Qatar e não só. Eu quando estive na Índia vi muitas mulheres completamente cobertas. Não é raro lá, nem em muitos outros países do sul da Ásia.