
Eduardo Freitas: «Um candidato, esse sim com aspirações a challenger, cujo principal atributo reside no timbre da sua bela voz que lhe bem assiste nas sucessivas tiradas tonitruantes quase fazendo esquecer o vazio absoluto do seu conteúdo. Um candidato apoiado pelos partidos políticos que mais se opõem entre si, o que tem como consequência, por incrível que possa parecer, esvaziar ainda mais o vazio pré-existente. Por fim, um candidato incumbente do qual podemos ter uma certeza: dele não virão quaisquer surpresas. Para muitos, aí reside o seu principal activo. Para outros, infelizmente, Cavaco não quer ser o De Gaulle português. E ainda que, no curto prazo, tal traduza um alinhamento com a anomia colectiva que nos entorpece, pagaremos todos por isso. Ainda assim, não vejo como não o apoiar.»
Laura Ramos: «SNão… Não vou lá pelo discurso, nem pelo BPN, nem pelo bolo-rei, nem pela Maria, nem pela casa de praia (que horror, que escândalo). Vou lá pelas mesmas razões a que as minhas memórias me levaram. Primeiro, porque estou farta (um pouco dele também, é verdade… mas sobretudo farta da gente e das miragens que não interessam, e de que temos de nos livrar, por imperativo geracional). E depois porque esse caminho – à direita do PS e à esquerda dos conservadores – está ainda muito longe de ser cumprido no Portugal de hoje.»
Rui Rocha: «Como se sabe, o número de clubes que acede às competições europeias depende do lugar ocupado no ranking da UEFA. Na corrida eleitoral a coisa também é parecida. Dizem as sondagens que o único lugar disponível nas Champions será para Cavaco Silva. É muito provável que o candidato não tenha estofo para os grandes desafios de uma liga de campeões. Percebe-se que Cavaco não tem fio de jogo. A estratégia e o sistema táctico deixam muito a desejar. As exibições não entusiasmam os seus próprios adeptos. Mas o campeonato que termina no próximo dia 23 está a ser marcado pelas faltas de comparência. E Cavaco tem ganho muitas partidas sem ter sequer de sujar os calções.»
Eu: «Manuel Alegre encarnou o papel que menos lhe convinha: o de Mário Soares na campanha anterior. Tal como Soares então, radicalizou excessivamente o discurso, procurando transformar a corrida a Belém numa espécie de ajuste de contas com Cavaco Silva. Esqueceu-se da sábia conduta que ele próprio revelou há cinco anos, quando evitou ataques pessoais e sublinhou que uma vitória de Cavaco não poria em risco a democracia. O discurso radical de esquerda, em sintonia com o BE, distanciou-o de muitos socialistas. Termina esta campanha talvez mais só do que estava em 2006.»
