
Fernando Sousa: «Entre a Chamusca e a Vala do Carregado, já só sobra um punhado de palafitas, como a Palhota, guardada à vista por Humberto Vasconcelos, que sem nada a ver com a história trocou, há anos, o jornalismo por outra luta insana, a de restaurar, com a Isabel, casas e barcos, a própria memória, sem a qual o futuro chegará um dia sem sentido. “Estou aqui construindo o novo dia com uma expressão tão branda e descuidada que dir-se-ia não estar fazendo nada. E, contudo, estou aqui construindo o novo dia!” (António Gedeão). Um abraço de admiração para o último dos avieiros.»
João Carvalho: «SIC-Notícias, bloco noticioso das 10 horas. No alinhamento, não tarda a surgir pela enésima vez a informação lançada ontem e prosseguida noite fora: «Renato Seabra continua detido.» Continua, não é? E qual é a notícia? Não há pachorra. Este jornalismo é que continua a fazer-se. Este jornalismo é que deve ser noticiado. Mas não devia ser assim. Tão-pouco a RTP devia andar a afinar pelo mesmo diapasão. O que também devia ser notícia. Grave.»
Laura Ramos: «Mais do que a crise económica, acredito que a ignorância complexada é o pior inimigo da Europa XXI.»
Rui Rocha: «A situação tunisina demonstra a possibilidade de revoluções democráticas no mundo árabe, com origem exclusiva na revolta contra a corrupção e a injustiça social e em que o fundamentalismo religioso não assume qualquer papel activo.»
Teresa Ribeiro: «É tão frágil, tão vulnerável e tão doce que apetece proteger. Tão frágil, tão vulnerável e doce que se torna irresistível. Tão doce e frágil e vulnerável que não pode viver sem mim. Tão doce, tão doce. Tão vulnerável. E frágil. Que não pode viver sem mim, que neura. Que aperto. Tão vulnerável mas tão vulnerável que não se aguenta. Tão vulnerável e tão doce. Bye bye, que pena.»
Eu: «Menos um tirano no activo: a revolta popular que estalou há duas semanas na Tunísia acaba de derrubar o general Ben Ali, que ocupava o palácio presidencial em Tunes desde 1987 e se especializou em organizar eleições fraudulentas em que obtinha sistematicamente 99% dos votos. O seu consulado despótico pertence já ao passado: agora rumo ao exílio, o general não encontra país disposto a dar-lhe guarida – a começar pela dúplice França, que tanto o auxiliou a prolongar-se no poder. Ben Ali, convém recordar, foi um dos ditadores a quem o Governo português estendeu a passadeira vermelha em Dezembro de 2007, por ocasião da lamentável cimeira UE-África.»

foi um dos ditadores a quem o Governo português estendeu a passadeira vermelha
Não é função do governo português imiscuir-se nos assuntos internos dos outros países, classificar a forma boa ou má como eles são governados. O governo português deve estender a passadeira vermelha a todos os governantes efetivos de países com os quais Portugal quer ter boas relações.
O que significa que a “Primavera Árabe” teve os seus primeiros resultados há precisamente dez anos. Desgraçadamente teve maus resultados excepto no próprio país em que sugiu, a Tunísia.