DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Margarida Craveiro: «Em relação ao assassínio do colunista Carlos Castro, há muitos pormenores que chocam. Mas confesso que me choca ainda mais a aparente relativização do mal por parte de alguma vox populi (para não ser injusta, generalizando). Por mais que as telenovelas e leis tentem formatar a sociedade, há ódios e fobias que não desaparecem. Não desaparecem num piscar de olhos progressista, levam tempo. E o que poderia ser uma leve intolerância à diferença transforma-se em ódio cego que banaliza o mal, e que esquece os conceitos mais simples de bem e mal. Uma morte provocada é o mal; uma morte acompanhada de tortura é o mal absoluto, e em nenhum caso se pode desculpar. O ódio não é menos ódio por ser praticado por um menino jovem e bonito.»

 

Bandeira: «Andar a filosofar é patético. Filosofar a andar é peripatético.»

 

Maria João Nogueira: «Agora, olhando para trás, há três coisas que me espantam: a quantidade de pessoas que no início do processo me sugeriram que removesse os posts e não me chateasse mais; a quantidade de pessoas que se solidarizaram comigo, e me escreveram mensagens, e comentários, e posts, e tweets e sms; e, por último, que ainda haja quem não perceba que, DELITO DE OPINIÃO, é este Blog. Mais nada.»

 

Rui Rocha: «A Bola de Ouro não premeia o perfil mais próximo do bom samaritano. Distingue aquele que ganhou mais. E ganhar implica derrotar. Em 2010, ninguém derrotou os outros mais que Mourinho. Se virmos bem, a atribuição da Bola de Ouro a Mourinho é a forma de colocar as coisas no seu devido lugar. A Guardiola e ao Barcelona espera-os um lugar na história colectiva por apresentarem um futebol superlativo e inesquecível. Del Bosque tem já o título de campeão do mundo. Não merece mais, nem menos. A Bola de Ouro para Mourinho é o prémio adequado para a sua inesgotável capacidade de derrotar, traduzida em resultados concretos.»

 

Eu: «Manuel Alegre, que devia ter seguido o trilho de Francisco Lopes, preferiu adoptar o tom e o estilo chocarreiro de Moura – o Alegre de série B, que só se candidatou para isto. Um papel que lhe serve muito mal: o candidato a Belém apoiado pelo PS e pelo Bloco de Esquerda não é vocacionado para carregar baldes de lama destinados a adversários políticos. Conheço-o, sei do que falo: nunca até hoje o vi proceder assim. Foi mal aconselhado por quem gosta de sentir o cheiro do napalm ao amanhecer. As companhias escolhem-se – e nesta campanha Alegre não tem nenhum motivo para se gabar das que escolheu.»

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