
Bandeira: «Poeta: alguém que se aventura com a língua mais do que o pudor aconselha.»
João Campos: «No que diz respeito a livros, nada a fazer: continuo sem ler as novidades da época (não é teimosia, juro), mas se o caro leitor quiser, escolha um dos que se seguem, que será certamente uma excelente escolha: Dracula, Atlas Shrugged, Dune, The Dispossessed, Starship Troopers, Nightfall, The Moon Is a Harsh Mistress, Foundation, A Scanner Darkly, The Man in the High Castle, The Left Hand of Darkness, Neuromancer, A Clockwork Orange, Rendezvous With Rama, Childhood’s End. Boas leituras.»
Leonor Barros: «Carlos Castro, cronista social amplamente conhecido, foi encontrado morto num quarto de hotel em Nova Iorque, onde se encontrava desde Dezembro último. Mesmo que de Carlos Castro só fosse conhecida a imagem das revistas cor-de-rosa e das aparições na televisão, a notícia deixou alguns de nós incomodados tanto pela violência do acto como pelos contornos e detalhes. Digo alguns de nós porque há uma outra parte de ‘gente’ que vai deixando rasto nos comentários das edições online dos jornais e que é absolutamente execrável. Pergunto-me que raio de gente é esta que invade o espaço que devia ser de liberdade responsável e partilha de opiniões para mostrar o que de pior um ser humano pode ter e destilar ódio ao seu semelhante, exibindo a sua homofobia e total ausência de respeito.»
Luís M. Jorge: «O país transborda de sultões com primos em Genebra e palacetes em áreas protegidas, que alardeiam Porsches, nomeiam capangas e são eleitos pelo povo entre abundantes sinais de devoção. As insinuações dos opositores dirigidas a esta gente batem na trave da indiferença universal. Os nossos saloios vociferam contra os bandidos do Terreiro do Paço, mas votam com alacridade num bandido do Rebordelo ou da Merdaleja para preservarem as velhas tradições e a cor local. Venha o chouriço e o cantor de charme, que por aqui estamos conversados.»
Rui Rocha: «O Skype põe-me em casa a partir de Madrid ou de Montevideu. Num ou noutro sítio a distância é a mesma: um click e a falta de intensidade. Mas é ainda distância. E ausência. E saudade. Tenho comigo o El Mundo e o El País. Duas linhas editoriais distintas que se unem sob uma mesma notícia de capa: Portugal perante o descalabro iminente. Que pode arrastar a Espanha. Sócrates e Zapatero, irmãos gémeos que se aprestam a mergulhar de mãos dadas no desastre. Ainda aqui, a diferença de intensidade. Em Espanha já se tomaram várias medidas duras. Em Portugal, vamos agora implementá-las. Ou estamos a discuti-las e a tentar dissimulá-las.»
Sérgio de Almeida Correia: «Entristeceu-me bastante, embora isso não seja comparável nem tenha a dimensão da gravidade do caso das acções da SLN compradas e vendidas em condições discutíveis por um ex-primeiro-ministro, a forma como Manuel Alegre voltou a pegar no caso do texto que escreveu para o BPP. Aquilo que já estava esclarecido, afinal não tinha sido devidamente esclarecido, e provocou uma série de declarações desencontradas, que não beliscando minimamente a sua seriedade deixaram no ar a ideia de haver alguma “poesia” na forma como na altura geriu o seu dia-a-dia. Espero que também lhe tenha servido de lição.»
Eu: «A RTP – serviço público de televisão e, como tal, sujeita a deveres acrescidos de imparcialidade e isenção – deu ontem voz ao candidato presidencial José Manuel Coelho numa entrevista conduzida por Judite Sousa. (…) Achei totalmente compreensível a intervenção inicial do candidato, ao queixar-se do facto de a RTP ter “marginalizado” a sua candidatura quando agendou os debates com os restantes candidatos a Belém, deixando José Manuel Coelho de fora: isso mesmo havia eu anotado aqui algumas horas antes. Entendi mal a crispação revelada pela entrevistadora. Que, tendo a experiência que tem, já devia prever aquela intervenção e reagir com fair play, o que não sucedeu.»
