DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Vidal: «Graças às inesperadas e arrasadoras medidas recém-anunciadas quanto às prestações para a Segurança Social, a  imensidão de portugueses que trabalhava a recibo verde vai ter de correr a uma conservatória para criar uma empresa unipessoal. Quem não o fizer será ainda mais penalizado do que já era, e acrescentará à precaridade da sua situação uma pesada contribuição para o famigerado Estado Social de faz-de-conta, que cada dia lhe garante menos apoio em todas as frentes.»

 

João Carvalho: «Dilma [Rousseff] deve ter ficado eufórica com tais notícias: conta com o apoio de Portugal (?) sem receber qualquer pedido aos brasileiros. Parece bem. Mas isso é o que Sócrates diz que disse. Mudou o ano, mas não mudou a pessoa.»

 

Rui Rocha: «Um dos factos internacionais mais marcantes do início de 2011 é a passagem de testemunho de Lula da Silva a Dilma Rousseff. A ideia mais comum sobre esta transição no poder é a de continuidade de políticas. Ora, o Brasil precisa, a muitos níveis, de mudança e não de continuidade. A Presidência de Lula da Silva constituiu um marco histórico. Pela devolução da esperança a milhões de brasileiros, pela inclusão de largas faixas da população na sequência de políticas sociais e económicas de choque, pelo crescimento económico explosivo e pela conquista de um lugar de destaque no panorama internacional. Tendo sido uma tarefa meritória e gigantesca, pelo abanão que representou no statu quo, a missão de Lula afigura-se, apesar de tudo, mais fácil do que aquela que Dilma tem pela frente: a da sustentabilidade. E são muitos os perigos que a ameaçam e os desafios de que depende.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Com excepção do dia em que jurei a mim mesmo deixar de fumar (cigarros, regularmente, em 1 de Janeiro de 1993), coisa que pegou no dia em o Miguel V. me xingou a viagem toda de Casal Velho para Lisboa por causa do fumo dentro do carro e do frio que entrava pela janela, não sou de fazer juras em cada dia primeiro de Janeiro. Só tenho força de vontade para aquilo que considero verdadeiramente importante. Deixar de fumar foi uma delas. Começar a escrever estas linhas foi outra.»

 

Teresa Ribeiro: «”És tão linda” – disse-lhe, sabendo que com o elogio tocava na tecla, sempre tão afinada, da vaidade feminina. Ela sorriu-lhe. “Se não fosses tão bonita não gostava tanto de ti” – continuou, cuidando que ao insistir no elogio atearia ainda mais o seu sorriso. E ela, para não lhe defraudar as expectativas, segurou-o, mas com dificuldade. Porque afinal era de precariedade que ele lhe falava.»

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