DELITO há dez anos


Pedro Correia,

21523202_SMAuI.jpeg

 

Ana Vidal: «Chama-se Maria do Carmo Fonseca e foi distinguida com o Prémio Pessoa 2010 pelo seu importante contributo para o conhecimento do genoma humano. Com o galardão vieram também 60.000 euros, um prémio pecuniário pessoal que o premiado pode, naturalmente, gastar como quiser. Em entrevista, a cientista revelou que essa verba será integralmente aplicada na compra de um microscópio essencial para as suas investigações, que não existe no laboratório onde trabalha. Um caso exemplar, e ao mesmo tempo uma notável e irónica chapelada aos imperiais polegares que decidem os destinos  dos dinheiros públicos.»

 

João Campos: «De há sete anos a esta parte, na linha que habitualmente uso (Lisboa – Algarve), a CP tem procurado por todos os meios, e de forma pouco discreta, que ninguém use o serviço Regional. Do antigo Inter-regional que ligava o Barreiro a Vila Real de Santo António (com paragem em todas as estações), passou-se para dois Regionais a ligar o Pinhal Novo a Faro, com horários cada vez mais inúteis, até ao presente: ligação Setúbal a Tunes (Faro?), com horários que servem praticamente ninguém. Depois queixam-se. Esta ligação, ainda assim, parece que se vai manter – por quanto tempo, veremos; mas a CP vai eliminar só 450 quilómetros do serviço regional. Só. Quase concordo com um comentário idiota à notícia do Público: para isto, mais vale de facto o Governo dar um carro a cada português.»

 

Rui Rocha: «Conclui-se que os pobres estão na moda. Pelas piores razões. Os políticos abriram a época de caça ao pobre. Querem ostentá-los nas suas campanhas e nas suas intervenções. São um estandarte. A cabeça de um pobre é um troféu. Se em vez de uma, forem várias, tanto melhor. E, em certas circunstâncias, os políticos querem mesmo parecer pobres. Passos Coelho não vai dar prendas de Natal às filhas mais velhas… É uma pobreza de ocasião. Sim, que em matéria de pobreza vale muito mais parecer do que ser.»

 

Eu: «Nunca me lembro de ter visto o PCP tão pouco internacionalista como nos dias que correm. O discurso anti-europeu, noutros tempos bandeira de Paulo Portas e Manuel Monteiro, foi apropriado pelos comunistas portugueses, actuais campeões do isolacionismo. Falam permanentemente em “soberania nacional”, bradam contra tratados já tão remotos como os de Maastricht e Amesterdão, revelam saudades do velho escudo. “O euro significou 20% da perda de competitividade do nosso país”, declarou esta noite o candidato do PCP, Francisco Lopes, no debate que o opôs a Manuel Alegre na SIC. Clara de Sousa bem se esforçou para introduzir alguma dinâmica, mas em vão: foi até agora o mais monótono e maçador dos debates desta campanha presidencial.»

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *