
Ana Vidal: «As editoras já não sabem o que inventar mais. Pegou a moda de juntar nomes conhecidos “da mesma área” (seja lá isso o que for), de forma quase sempre forçada, com o objectivo de que escrevam a n mãos um livro com um tema qualquer. Deste nos dá conta – com a habitual ironia e graça – o Ricardo Araújo Pereira na sua crónica da Visão. Mais uma estapafúrdia ideia editorial, supostamente interessante. Traduza-se: mais uma receita comercial que se pretende garantida. Mas duvido de que o venha a ser. Afinal de contas, político não é sinónimo de escritor nem criança é sinónimo de imbecil.»
Luís M. Jorge: «Os nossos meninos, para usar o argumento do Pedro, escrevem cada vez melhor — isso mesmo ficou demonstrado pelo relatório Pisa da OCDE, que esta semana veio a público. E quem resiste a um bebé fofinho, carequinha, meiguinho, rosadinho, papudinho, com gorrinho de lã a fazer beicinho? Eu não.»
Luís Rocha: «A globalização desenvolveu-se fundamentalmente com base no crescimento do livre comércio internacional. É dos livros que a existência deste traz ganhos mútuos aos intervenientes e é um importante factor acelerador do crescimento económico. É dos livros que o estabelecimento de entraves ao dito comércio tem, não poucas vezes, constituído a causa dos conflitos mais mortíferos. Relatórios do Banco Mundial têm demonstrado que os países que se abrem ao comércio internacional crescem, em média, a um ritmo duas vezes superior ao daqueles que se fecham. Por via disso, nos últimos 20 anos, centenas de milhões de pessoas conseguiram ascender daquilo a que se chama o limiar da pobreza.»
Rui Rocha: «Aguarda-se a habitual indignação das carpideiras sempre prontas a defender a exportação da abertura chinesa para outras latitudes. A esses sugiro antecipadamente que vão escrever um post. Na China. E que nos mandem notícias.»
Sérgio de Almeida Correia: «Pensador para mim era um Sócrates, um Platão, um Séneca, um São Tomás de Aquino, um Adam Smith, um Popper, um Sartre, um Ortega Y Gasset, sei lá, um Unamuno, um Levi Strauss, um Manuel Laranjeira, um Antero… Agora também lá tenho o Mário Crespo.»
Eu: «Uma vez mais, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem revela um entendimento muito mais favorável à liberdade de expressão e de informação em Portugal do que as instituições judiciais portuguesas, designadamente o Supremo Tribunal de Justiça, que ainda dão primazia generalizada ao direito ao bom nome em casos de alegado abuso de liberdade de imprensa. Uma vez mais, e por causa deste entendimento tão peculiar das hierarquias de direitos, o Estado português acaba condenado em sede de recurso para o direito europeu. Tenciono voltar ao assunto. Fica, entretanto, o registo – à atenção de todos quantos preferiam um Portugalzinho remetido ao seu aconchegador cantinho pré-União Europeia, cheio de brandos costumes e respeitinho. Como este acórdão do TEDH demonstra, um quarto de século após a nossa adesão à então Comunidade Económica Europeia continua a faltar Europa em Portugal.»
