
João Carvalho: «Passei o dia a ler e a escutar muita gente a pronunciar-se sobre Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. (…) Acredito mais que assisti a uma saudade, à saudade de Sá Carneiro. A certeza de que Portugal seria necessariamente diferente, sem se saber em que medida, e a saudade de um homem que marcou um tempo já em si marcante. A saudade de um sonho, também — ou sobretudo. Um sonho que nunca se realizou, mas que era possível sonhar e de que é possível ter saudade. Creio que foi a isso que assisti. Admito que o sonho não teve morte em dia certo a horas certas. Porém, morreu. Ficou esta saudade que hoje vi desfilar.»
José Navarro de Andrade: «Cavaco e Eanes entenderam-se na perfeição, pois eram patentes as afinidades electivas que os uniam: o ascetismo dos magros, o pragmatismo dos que abominam as controvérsias da política e aquela espécie de frigidez autoritária que tanto calha aos portugueses. Após uns anos economicamente duros, Portugal conseguia superar a crise sem precisar dos préstimos do FMI e aprontou-se a integrar a CEE com mérito e distinção. Este entendimento emocional e intelectual entre os dois, permitiu que fosse executada uma profunda revisão constitucional, para horror do PCP e com o fraccionado PS a resmungar e a reboque.»
Rui Rocha: «A, assim chamada, greve dos controladores aéreos espanhóis foi uma vergonha. (…) Esta paralisação foi decidida completamente à margem do direito, sem cumprimento das mais elementares regras de exercício do direito à greve e à reivindicação. Os controladores aéreos espanhóis abusaram de um poder de facto que possuem. Comportaram-se como o funcionário que aceita receber um suborno para abrir uma porta de que só ele tem a chave. Só que, sendo um acto igualmente criticável em si mesmo, o dos controladores tem consequências avassaladoras. É preciso dizê-lo: o que aconteceu em Espanha é, sem grande preocupação de rigor jurídico, do domínio da extorsão e da chantagem.»
