
André Couto: «A conferência de imprensa de José Mourinho no fim do Barcelona-Real Madrid desta noite foi uma aula, uma lição de como levar cinco olés na casa do maior rival, virar a situação e terminar como se fosse o grande vencedor da noite. Sem nunca se exaltar, sem nunca cair nas escorregadias perguntas dos jornalistas sedentos de sangue, ainda terminou a refrescar os rostos frustrados com o recente Barcelona-Inter de Milão.»
Filipe Anacoreta Correia: «Em Portugal, como no resto na Europa, assiste-se a uma preocupante demissão da sociedade civil em “tomar partido”. As consequências são evidentes aos olhos de todos: desidentificação crescente entre eleitores e eleitos, desmobilização e indiferença diante do sistema político, descredibilização das instituições, que, por sua vez, se tornam incapazes de tomar o pulso à sociedade e mobilizá-la para os desafios com que nos enfrentamos (mais a mais em tempos de crise e de urgência como o que actualmente existe).»
Rui Rocha: «Mourinho é ambição, é arrogância e obsessão. É auto-suficiência que transborda para lá das quatro linhas do campo. As vitórias morais devem ser-lhe muito amargas. O que aconteceu ontem foi o confronto do homem com o seu próprio mito. E como não podia deixar de ser, o homem é bastante menor que a dimensão do mito. Mourinho, o treinador, é de carne e osso, falível, sujeito ao erro. Ontem, apanhou um banho de futebol. Lá dentro do campo, onde as coisas realmente acontecem, a aula foi dada por Messi, por Xavi, por Iniesta e pelo seu treinador, Pep Guardiola. Dizer agora que Mourinho foi brilhante na derrota é pregar-lhe uma rasteira. O homem alimenta-se, exclusivamente, de sucessos. No dia em que as suas vitórias passarem a ser grandes exibições nas conferências de imprensa depois dos jogos, Mourinho estará acabado.»
Sérgio de Almeida Correia: «No mundo onde corre, Filipe Albuquerque é um dos melhores, embora não tenha os meios de Mourinho. O feito alcançado no passado fim-de-semana, na prova disputada na Alemanha, mereceu elogios em toda a Europa e até no Brasil, pátria de nomes como Pace, Fittipaldi, Piquet ou o inesquecível Ayrton Senna da Silva, a sua marca não passou despercebida. Os meus heróis têm nome. Este chama-se Filipe Albuquerque e fala português como nós.»
