DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Carvalho: «O mundo mudou. Os partidos é que nem por isso: têm-se oposto genericamente às reformas e agudizam fórmulas obsoletas de actuação. Só os partidos? Não: os sindicatos também cristalizaram. Os velhos líderes sindicais não têm imaginação para encontrar modelos de actuação ajustados às novas realidades. Nem sequer conseguem repensar os padrões ultrapassados por que se regem.»

 

Rui Rocha: «Em qual dos cinco estágios se encontram o Governo, a opinião pública, os parceiros sociais, os empresários, o primeiro-ministro, eu próprio ou o leitor perante esse grave problema? No meu caso, vou pensar nisto.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Aquilo que Otelo [Saraiva de Carvalho] diz quanto à forma como a partidocracia se impôs e a oposição comodamente se instalou, dissociando os portugueses da participação e da realização das aspirações colectivas, pode parecer um sacrilégio dito por ele. Mas é hoje uma verdade incontornável. Custa ouvi-lo da boca de Otelo. Não deixará por isso de ser menos verdadeiro.»

 

Tiago Moreira Ramalho: «Digo muitas vezes, tantas que já nem sei se é a sério se a brincar, que a introdução de My Unwritten Books de George Steiner é a coisa mais bonita que já li. Encerra, em poucas, pouquíssimas linhas, a essência cobarde que reside em cada um de nós. Os livros que Steiner nunca escreveu são as declarações de amor que nunca fizemos, são o café que nunca combinámos, são o beijo que sempre tememos. Os livros que Steiner não escreveu são metáfora de todas as nossas frustrações, todos os nossos ‘se’, todas as nossas possibilidades passadas que gostaríamos futuras, na ilusão de que no futuro faríamos diferente.»

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