
Ana Margarida Craveiro: «A democracia representativa também é isto: tumulto, governos que caem, ministros aos gritos no parlamento, deputados aos berros uns com os outros. O mundo político cor-de-rosa só existe na cabeça de quem tudo quer ordenar.»
Carla Ferreira: «Utilizar tais termos, como loucura, anormalidade ou outros de semelhante carácter, e carga sociológica, na catalogação da mente, como se determinados actos isolados nos dessem precisa informação, é um terreno perigoso nos meandros da evolução, por onde nem nos deveríamos permitir entrar. A cada dia, em cada viagem alheia, mais ou menos genial, mais ou menos penetrante, que na reserva, no receio, na segurança da protecção e do conforto, nem me teria chegado, ganho riquezas de vida, tão minhas como mais nada. Loucura, talvez seja até o aquém. Apenas e só pelo desperdício a que se sujeita quem não se consegue abrir e seguir.»
João Campos: «A peça já nem surpreende: um jovem cuja formação não chegou muito longe e cujo currículo se resume à militância partidária, neste caso, no PS, arranjou um belo tacho. Ou melhor: arranjou um pote de ouro, se tivermos em consideração os valores divulgados. Junte-se a isto uma empresa vazia, inactiva como convém – um nome fictício para roubar (sim, roubar) mais uns milhares em subsídios ao erário público. Não surpreende a chico-espertice, não surpreende a falta de vergonha de quem abriga parasitas deste calibre. Quem tinha razão era Elisa Ferreira, quando disse que “o dinheiro é do Estado, é do PS”. No entendimento desta gente, é. E será enquanto a tetinha não secar.»
João Carvalho: «O ministro Mendonça disse ontem na Assembleia da República que reavaliar não é parar, referindo-se aos grandes projectos e reforçando a afirmação de que o TGV vai avançar no início de 2011. Mal passadas 24 horas, o ministro Teixeira dos Santos disse hoje no mesmo Parlamento que o acordo com o PSD vai ser respeitado, no que se refere aos grandes projectos, o que implica o congelamento do TGV até que seja feita uma reavaliação por uma comissão independente. Todos sabemos que isto é uma anedota. Mas não haverá alguém que lhes faça um desenho para perceberem que a piada já está estafada?»
Teresa Ribeiro: «Fomos infantilizados durante quase 50 anos pelo salazarismo, seguiram-se estes 35 anos de adolescência. Gostava de saber se já estamos em condições de entrar na idade adulta e assumir as nossas responsabilidades, começando por pegar nestes partidinhos pelo colarinho e obrigá-los a governar em vez de se governarem.»
Eu: «Ao contrário dos restantes ditadores europeus da sua época, Salazar não conquistou o poder: recebeu-o dos militares, primeiro em parcelas delegadas, depois de forma generalizada mas nunca com carácter absoluto. Foi um poder que resultou de um pacto e se sujeitou a regras tácitas – desde logo, a de haver sempre um militar no Palácio de Belém, como vértice político supremo, ainda que apenas com carácter simbólico (embora a Constituição de 1933 lhe outorgasse o poder discricionário de demitir o presidente do Conselho de Ministros).»
