
Ana Margarida Craveiro: «O fim das “disciplinas” de Área Projecto e Estudo Acompanhado, definido em Orçamento do Estado, diz muito sobre a desorientação do Ministério da Educação. Não me interpretem mal, ainda bem que acabam essas perdas de tempo, mas mal vai o país em que o currículo escolar é definido pelo Ministério das Finanças.»
João Campos: «Desde o sucesso da trilogia “O Senhor dos Anéis”, realizada por Peter Jackson, que ouço falar numa futura adaptação para o cinema da prequela “O Hobbit”. Neste livro, Tolkien narra a história de Bilbo Baggins, um pacato hobbit do Shire que (com um “empurrãozinho” de Gandalf) se vê no meio de um grupo de anões preparados para recuperar o seu antigo reino a Leste, na Montanha Solitária, em tempos atacada e dominada pelo dragão Smaug. Claro que a viagem não seria assim tão simples, e durante a aventura, os anões e o hobbit perdem-se nas Montanhas Azuis (onde Bilbo encontra Gollum, e lhe rouba o Anel), são capturados por elfos, enfrentam Smaug e acabam por entrar na Batalha dos Cinco Exércitos, contra os Goblins e Wargs de Moria.»
João Carvalho: «Por ocasião do PEC2, o PSD aceitou a recolha de receitas agravadas se o montante fosse igual ao das despesas cortadas pelo Governo até ao fim deste ano. Agora com o Orçamento, o Governo aceita um corte nas despesas para o próximo ano se o PSD apresentar receitas que respeitem um saldo igual ao previsto. Portanto, ambas as partes concordam sempre desde que tudo seja igual. Só as armas são desiguais: apenas uma das partes toma conta das receitas e das despesas. Precisamente aquela que nunca cumpre, sonega informação e pinta a realidade.»
Sofia Bragança Buchholz: «Um dia, a curiosidade foi mais forte do que eu e segui-o. Depois de o ouvir, colei o olho à mira da porta, espiando as escadas do prédio. Vi-o descer descontraído, assobiando, aliviado. Vi um homem alto, entroncado, ligeiramente calvo, mas de viris braços peludos, aquele mesmo que um dia, à entrada de casa, vira roubar um beijo à cinquentona inquilina de cima e percebi finalmente o porquê de todo aquele clamar: aquele grito de dor, de aflição, de tormento, mais não era do que o orgasmo histriónico do histriónico namorado da vizinha.»
Teresa Ribeiro: «Os melhores salários para um dos piores desempenhos. Segundo um relatório da Comissão Europeia é esta a relação custo-benefício desta casta de funcionários do Estado [juízes], a mesma que anda a chorar os cortes salariais determinados pelo novo O.E. e a tributação do subsídio de residência.»
Eu: «Esta é já, para mim, a frase do ano. Foi proferida por um dos 33 mineiros libertados por um prodígio de tecnologia após 69 dias de cárcere imprevisto 700 metros abaixo de terra. “Estuve con Dios y estuve con el diablo. Me pelearon y ganó Dios, me agarré de la mejor mano.” É esta a frase, proferida pelo extrovertido Mario Sepúlveda, o segundo mineiro que regressou à superfície naquele já inesquecível 14 de Outubro, o primeiro de dois dias que fez colar mil milhões de pessoas aos ecrãs televisivos em todo o mundo. “La mejor mano” possibilitou que esta história, ao contrário de quase todas que nos vão chegando ao domicílio, tivesse um final feliz. Mais emocionante, mais empolgante, mais cheia de imprevistos e com muito melhor elenco do que a esmagadora maioria da ficção televisiva e dos reality shows que se produz actualmente.»
