
Ana Vidal: «Não posso deixar de pensar no contraste flagrante com o que se passa com um cada vez maior número de “escritores de circunstância”, que publicam ao sabor das leis do mercado, sem terem tempo, sequer, de amadurecer ideias. E em quantos e quantos livros não passariam a prova do tempo, se lhes fosse feito esse simples teste.»
João Campos: «A história de The Left Hand of Darkness é narrada de forma linear, mas com base em “fontes” dispersas, alternando entre os diários e as memórias de Genly Ai e o diário do outro protagonista, Estraven, sem contudo seguir uma estrutura fixa (como acontece, por exemplo, em The Dispossessed). Pelo meio, de forma mais ou menos aleatória, surgem capítulos distintos que apresentam lendas e contos de Gethen, descrevem as várias religiões presentes naquele planeta, ou que incidem sobre outros aspectos daquele mundo – aspectos laterais que ajudam a compreender mais um fascinante mundo imaginado e descrito por Ursula K. Le Guin.»
Maria Isabel Goulão: «Nem sabem o que se passa outside, nas ruas infestadas de bicharada cruel e gananciosa capaz de tudo para pôr o dente num pedaço de comida, verdadeiros monopolistas dos escassos abrigos da chuva e do vento. Pois é; antes de ser uma elegante aristogata fiz parte de mundo desgraçado, cheia de bichos nefastos que só dão maçadas (vulgo parasitas e pulgas) e envergonham a classe. Não julguem que não temos o nosso brio: um pêlo limpo e asseado faz toda a diferença entre nós, e causa verdadeiras clivagens sociais entre os gatos finos de upstairs e os rafeiros de downstairs.»
Eu: «De respiração suspensa, o mundo acompanhou a inédita operação de resgate dos mineiros chilenos, que contou com o incentivo permanente do Presidente da República, Sebastián Piñera. Uma situação limite, que em circunstâncias normais conduziria à morte dos 33 trabalhadores encurralados a 700 metros de profundidade. Mais de dois meses depois do acidente que os deixou enclausurados numa mina de cobre, os 32 chilenos e o seu companheiro boliviano voltaram enfim a ver a luz do dia. Em ambiente de mobilização colectiva, numa altura da história do mundo tão marcada pelo individualismo galopante, em ambiente de solidariedade, numa fase em que os egoísmos nacionais pontificam, estes heróis dos nossos dias regressaram à superfície reconduzindo-nos de algum modo ao imaginário de Júlio Verne: a viagem ao centro da Terra é a última utopia possível neste planeta.»

Já 10 anos sobre o resgate chileno?! Caramba, como isto voa….
Num instante.
É ir e vir. E um até já que logo se torna até sempre.