DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Margarida Craveiro: «É impossível cortar na despesa. É impossível cortar nos institutos públicos. Senão, como ia esta gente toda viver? Vamos a um exemplo. Conhecem a ANACOM? Espero que gostem do site. Custou-vos exactamente 54.000,00 €, em dois contratos por ajuste directo, de 180 dias cada um, mas com uma diferença entre si de pouco mais de uma semana. É um instituto público já com alguns anos. Em 2009 fez 20 anos. Gostava de ter sido convidada para a festa. Imaginem que só a tenda (aluguer e montagem), a decoração e o som e vídeo ficaram em 74.063,00 €. O catering, animação e afins só vos custou 60.476,00 €. Uma pechincha, os 20 anos.»

 

Ana Vidal: «Não acho particularmente bonitos os símbolos (ou logos, como preferirem chamar-lhes) que foram escolhidos para o Centenário da República Portuguesa, mas isso é o meu gosto pessoal, nada de grave. Reconheço-lhes, no entanto, um sentido de oportunidade e uma ironia notáveis. É que não podiam ser mais adequados à nossa situação: ao primeiro faltam bocados, exactamente como ao país, cada vez mais esfarrapado. O segundo lembra de imediato uma bola de roleta ou do euromilhões, numa clara alusão ao estado lamentável a que chegámos… estamos entregues à sorte ou ao azar do momento, numa lotaria que não controlamos e cujo resultado é imprevisível.»

 

Bandeira: «Olho para as altas vagas que a qualquer instante ameaçam, entre os oooohs e os aaaahs dos turistas de câmara em riste, levar a água salgada até à estrada marginal. O velho Oceano nem sequer pode justificar-se dizendo que se limita a cumprir ordens. Todos os anos assim, pronto, que é que se há-de fazer, e a gente da praia a perdoar o mau feitio ao paleco.»

 

João Carvalho: «No recorte noticioso da alocução do primeiro-ministro da Grécia sobre o orçamento para 2011, ouvi-o falar na recuperação de confiança: “confiança dos mercados internacionais”, “confiança dos parceiros europeus” e “confiança dos cidadãos, de quem dependemos”. Aqui está algo que nunca ouvimos nem ouviremos ao actual primeiro-ministro português: uma palavra de humildade perante os cidadãos, os seus concidadãos, de quem depende, não condiz com a sua arrogância habitual e casa mal com aquela pose insuportável que serve de defesa aos fracos, por muito ferozes (!) que sejam.»

 

José Gomes André: «Nos EUA, discute-se o modo de eleição do Senado. Escolha dos parlamentos estaduais ou eleição popular directa? Reforçar a dimensão federal do sistema (em que o Senado representa os Estados e não o “povo” dos mesmos) ou preservar a democraticidade do modelo político americano? Simpatizo formalmente com a primeira opção, mas inclino-me por razões “práticas” para a segunda.»

 

Miguel Vaz: «Apesar do indiscutível talento, Fábio Paim nunca lidou bem com as regras da Academia de Alcochete. Aos maus resultados escolares somaram-se as dificuldades em cumprir horários e obrigações. Os problemas tornaram-se incontornáveis quando passou ao escalão profissional. O tempo dos contratos milionários já lá vai. O jovem jogador nunca conseguiu afirmar-se e é hoje um tema tabu em Alvalade. Faltou em trabalho e disciplina o que sobrou em despesas. Fábio Paim é o primeiro a admitir que estourou todo o dinheiro que ganhou em carros, viagens, mulheres e luxos. Fábio Paim é o outro lado da moeda das grandes promessas do futebol. Alguém que tinha tudo para triunfar e ser hoje um dos melhores do mundo, mas que viu o futuro ruir como um castelo de cartas. É o exemplo de que o talento sem responsabilidade não leva a lado algum. O percurso de Fábio Paim é no fundo uma lição de tudo o que não se deve fazer na vida.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «A mim não me interessa discutir se a monarquia é melhor ou pior do que a república. Essa é uma questão menor. Para alguns pode parecer tonto que se celebre uma data, mas a mim também parece perfeitamente imbecil que se declare acefalamente fidelidade a um tipo qualquer de bigodes sem que ele revele um mínimo de categoria, trabalho ou serviço prestado à nação, nem que fosse em qualquer ramo do conhecimento ou do saber, que justifique merecer tamanha jura. Uma data também não passa de um ponto no calendário. De um rabisco na nossa memória.»

 

Teresa Ribeiro: «As regras são simples: eu desconto e eles, com o meu dinheiro, pagam as dívidas que herdaram e acumularam em consequência de anos de péssima gestão. Há um nome rasca para isto, inspirado na prática daqueles profissionais que se vêem muito pelo Intendente de poupa e carro desportivo. De gravata laranja ou rosa, tanto faz, estes senhores para quem eu trabalho e a quem tenho de entregar a massa toda que ganho até meados de cada ano, ainda têm a lata de me dizer que é por minha causa que se têm endividado.»

 

Eu: «Tony Curtis, agora desaparecido aos 85 anos, era um dos últimos actores ainda vivos que filmaram ao lado de Marilyn Monroe, falecida em Agosto de 1962. Quase todos os parceiros de tela do maior mito feminino de Hollywood desapareceram já – Clark Gable em 1960, Montgomery Clift em 1966, Cary Grant em 1986, Laurence Olivier em 1989, Yves Montand em 1991, Tom Ewell e Joseph Cotten em 1994, Robert Mitchum em 1997, Jack Lemmon em 2001, Tony Randall em 2004, Richard Widmark em 2008.»

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