
Ana Margarida Craveiro: «Não, Sócrates não fez quaisquer cortes na saúde e educação. Sim, os portugueses aguentam mais uma subida de impostos – assim como assim, têm salários bem generosos, que permitem fazer ajustes rápidos. Sim, as empresas conseguem perfeitamente pagar mais impostos sem continuar a despedir funcionários. Sim, o Estado tem o tamanho certo: concentrado nas actividades fundamentais, eficiente, sem desperdícios. E finalmente sim, a culpa deste descalabro é toda, todinha, do PSD, esse partido de irresponsáveis que resolveu nos últimos anos gastar o dinheiro que não temos.»
António Figueira: «A famosa “lenda negra”, que nos séculos XVII e XVIII se criou na Europa no Norte para descrever o atraso cultural das monarquias ibéricas, pode em bom rigor dizer-se que descreve melhor a situação de Portugal que a de Espanha na mesma época. A presença asfixiante da Inquisição, a omnipresença da religião, o fanatismo e a superstição, a ignorância generalizada, a aridez da vida cultural, caracterizavam Portugal – mais pobre, mais fechado, mais centralizado – mais ainda que o seu vizinho ibérico.»
João Carvalho: «O ex-ministro Manuel Pinho diz: «Foi importante ter sido ministro cinco anos, mas agora estou a adorar a minha vida em Nova Iorque.» Nós não achamos que tenha sido tão importante o que fez por cá, mas também estamos a adorar sabê-lo noutras arenas lá longe. Especialmente, desde aquele dia em que ele garantiu: «a crise acabou totalmente» e «há sinais extremamente positivos». Foi num dia de Outubro de 2006.»
Leonor Barros: «A Língua Inglesa, não fugindo à semelhança de outras, tem muitas variantes. Ele há inglês jamaicano, australiano, indiano, americano, canadiano, britânico, neozelandês, mas para gáudio dos linguistas, creio até que David Crystal estará já reflectindo e pesquisando sobre este extraordinário e inusitado fenómeno, surgiu nos últimos anos uma nova variante: o inglês socratino.»
Paulo Gorjão: «O leitor, por mero acaso, está ver o presidente do Conselho de Administração da ERSE, Vítor Santos, a emitir comentários depreciativos num blogue sobre profissionais do sector que a sua instituição tutela? Não está, pois não? Agora, onde se lê ERSE leia-se ERC e onde se lê Vítor Santos leia-se Azeredo Lopes. Assim o leitor já admite essa hipótese? Admite, não é? Pois. Aparentemente, trata-se do exercício da liberdade de expressão… A liberdade de expressão permite dizer que o jornalista não leu a fonte e que escreveu “com base em espírito santo de orelha”. Enfim, diria que são acusações muitos graves e totalmente inapropriadas, tendo em conta o cargo institucional de Azeredo Lopes, mas devo ser eu que estou a ver mal o filme.»
