
Afonso Ferreira: «O barco aproxima-se da outra margem e vejo uma caravela ancorada em terra e prédios e prédios a riscar o horizonte. No meio dos passageiros surge um homem a berrar. Portugal fez tanta obra e deu tudo. E nós aqui tão pobres sem nada. Portugal fez tanta obra…. – diz ele numa ladainha circular desesperada. Por telefone oferecem-me indicações preciosas para chegar ao destino. Há que apanhar o metro. Há que perceber onde é o estupor, comprar o bilhete para o dito cujo, perguntar a estranhos se vamos na direcção certa. O metro serpenteia pela cidade como uma cobra veloz num espanto mudo. As estações, em revolta com o asfalto, sucedem-se umas às outras – 25 de Abril, Gil Vicente, São João Baptista –, como tesouros do progresso.»
Ana Vidal: «Um dia destes atiro para uma mala todas as lembranças, todas as memórias, todos os sonhos vividos, desejados ou apenas temidos, e levo tudo comigo para a derradeira aventura. Não faltarão cheiros, cores, sabores intensos, sol e chuva, terra e mar, muito mar. Tudo isso irá comigo, porque tudo isso se me colou à pele com os anos e já faz parte de mim. Um dia destes reaprendo a dizer lareira, mesa, pão, vinho, consoada, linho, lã, aconchego. Está decidido. Um dia destes salto a janela e volto para casa.»
João Campos: «Não deixa de haver alguma ironia no facto de ontem, dia europeu sem carros, ter sido o dia em que mais tempo perdi no trânsito dentro de Lisboa, tanto de manhã como à noite. E nem choveu.»
João Carvalho: «Passos Coelho diz que recusou voltar a sentar-se à mesa com José Sócrates porque este quis impor-lhe condições à partida. Silva Pereira, em nome de Sócrates, diz que é falso, que não foram exigidas condições prévias a Passos Coelho. Sei — sabemos todos — que o costume de mentir por tudo e por nada cresceu, está institucionalizado e parece que já muito poucos — cada vez menos — se importam com isso. Eu importo-me. Neste caso, perante duas versões tão contraditórias, é indiscutível que uma das partes mente. É apenas mais uma mentira e não sei — não posso saber — qual das partes é que mente. Não sei, mas sei qual delas costuma mentir.»
Paulo Gorjão: «É com profundo pesar que lamento ter de informar que por aqui se bateu em retirada, deste modo privando os leitores não só de um diálogo rico (mérito ao qual sou alheio), mas também da evidente douta sabedoria. É a vida.»
Sérgio de Almeida Correia: «A CP é um desastre ambulante que custa rios de dinheiro aos contribuintes e que para tal conta com a conivência dos ociosos dos sindicatos, com a irresponsabilidade dos partidos políticos, com a complacência dos sucessivos governos e, acima de tudo, com a tremenda falta de cultura cívica dos seus utentes.»
Eu: «Tenho acompanhado o percurso desta deputada desde a sua estreia em São Bento. Fiz-lhe, aliás, a primeira entrevista que deu logo nesses dias em que iniciou as funções parlamentares. Foi motivo suficiente para passar a seguir com atenção a actividade posterior de Ana Catarina Mendes. Tem sido um percurso seguro, consistente, credível. Agora como vice-presidente da bancada do PS, revela grande capacidade de trabalho, prepara-se bem para os debates, estuda os dossiês e não abdica do pensamento próprio nas questões de consciência.»
