DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Margarida Craveiro: «Tendo em conta a agenda do sr. primeiro-ministro, quando são as eleições?»

 

Paulo Gorjão: «Elísio Oliveira consegue reagir primeiro do que Azeredo Lopes e Estrela Serrano à demissão de Luís Gonçalves da Silva da ERC. Percebe-se a estratégia. Em teoria, a reacção de um elemento da ERC nomeado pelo PSD à demissão de um elemento nomeado pelo PSD é muito mais eficaz. Em qualquer história, há sempre alguém que desempenha o papel de idiota útil.»

 

Eu: «Ligo ao acaso a televisão, deparo na TVI24 com a enésima entrevista de Carlos Cruz na fase pós-condenação, desta vez conduzida por Manuel Luís Goucha. Cruz, condenado a sete anos de prisão, deixa entender que foi envolvido no caso Casa Pia por ser “a segunda pessoa mais credível de Portugal”, logo após Mário Soares. “Assassina-se na praça pública uma pessoa inocente”, diz o entrevistador, condoído com o destino do entrevistado. Cruz avisa: “O que me aconteceu a mim pode acontecer a qualquer outro. Pode acontecer-te a ti.” Goucha remata: “É só levantar a suspeita.” E dá-lhe a deixa: “Tu terias que ser condenado para salvar a face da justiça?” Cruz concorda, claro. Por mim, fiquei esclarecido. E mudei de canal.»

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