
Leonor Barros: «Eu sou muitas e, nas muitas que sou, tenho sido assaltada amiúde pela viajante turista inquieta que em mim habita e que não me deixa descansada a menos que o meu outro eu que alberga estas almas múltiplas esteja doente, o que felizmente é ocorrência bianual. Tendo em conta que já esgotei a minha quota para o ano que corre lesto a caminho do fim e que o sol me tem iluminado a alma, dou por mim em viagens sortidas, como se fossem um saco de rebuçados de fruta, que sabor vou escolher hoje?, e com uma vontade incontrolável de sair daqui para fora, ver outras cores, sentir outros cheiros. Ir. Partir.»
Paulo Gorjão: «Luís Gonçalves da Silva demitiu-se da ERC, destacando a falta de isenção do regulador nos processos que envolvem o poder político. Totalmente de acordo. Desde que foi criada, Azeredo Lopes — fielmente secundado por Estrela Serrano — tudo tem feito para descredibilizar por completo a ERC. A taxa de êxito tem sido elevada, refira-se.»
Eu: «“Não sou daqueles que desistem do investimento nem mudo de rumo face à primeira contrariedade”, proclamava José Sócrates a 1 de Maio, garantindo aos portugueses que o Governo iria “manter-se firme” na defesa do comboio de alta velocidade. Um ano antes, o primeiro-ministro já sonhava que o TGV teria “um impacto absolutamente extraordinário” na economia e no emprego, que se faria sentir já “em 2009 e 2010”. Afinal, como tem acontecido desde que tomou posse, Sócrates voltou a faltar à verdade, comprovando que vive num país de fantasia, totalmente dissociado dos factos: o Governo acaba de anular o concurso público internacional relativo à construção da linha do Transporte de Grande Velocidade no troço Lisboa-Poceirão, adiando assim para as calendas um projecto que chegou a prometer como uma hipótese de saída para a crise.»
