
Ana Vidal: «Vamos bien, o que somos é uns excêntricos. Nos transportes, por exemplo, gostamos de ser originais: em terra só modelos vintage, no mar a mesma coisa… nada como a graça de um pneu ou de uma banheira antiga! E por falar em modelos, somos tão originais que temos um modelo de sociedade que já nem aqui funciona. Mas vamos bien, por supuesto. Muy bien.»
João Campos: «Não sei se já ouviram falar no “Lonesome George”. Se não ouviram, eu faço as apresentações: o George é uma adorável Tartaruga das Galápagos (na foto), da subespécie Geochelone nigra abingdoni, uma das onze subespécies das famosas Tartarugas das Galápagos. George seria uma tartaruga como as outras, não fosse por um pequeno detalhe, de extraordinária importância: encontrado na ilha de Pinta em 1971, é o único sobrevivente puro da sua subespécie em habitat natural. No Jardim Zoológico de Praga, existe um exemplar que se pensa ser uma Tartaruga da Ilha de Pinta pura, mas para azar de George, é também macho (chama-se Tony). Estima-se que George terá entre 60 e 90 anos, e encontra-se de boa saúde – sobretudo desde que os esforços de preservação da fauna e da flora das Galápagos começaram a dar frutos. Só lhe falta mesmo uma companheira.»
João Carvalho: «O TGV baixou de nível: o palco passou agora a ser ocupado por um secretário de Estado. E o que já fez ele? Veio dizer que daqui a meio ano é que vai ser. Já estou a imaginar: mais uma “primeira” pedra lançada com toda a pompa e circunstância no próximo ano. De pedra em pedra, alguma coisa há-de ficar um dia construída, senhores. Mas façam-nos um favor: não falem mais, mantenham-se silenciosos. É que já não há saco.»
Ricardo António Alves: «Abaixo do baixo / desceste, / tanto quanto o / instinto te impôs. // Não esteve em ti, / não dependeu de / ti a salvação / que procuraste. // Veio de ti, porém; / e outro ficaste, sem / saberes como foi que / uma família te compôs.»
