
Manuel S. Fonseca: «Os passos de Kennedy são a rigorosa e premeditada repetição de outros passos. Nenhum retorno, Herr Nietzsche. São vidas que se replicam noutro ponto, noutra curva de uma espiral. Parecem cópias, talvez sejam simulacros. Vidas com o mesmo libreto, mas com variação na coreografia: às vezes um inovador guarda-roupa, outras um amargo falhanço nos adereços ou na iluminação, tentam disfarçar o que é apenas repetição, humilde repetição de um deus monista, copista medievo sem imaginação.»
Eu: «Pressionado pela comunidade internacional, e sob a mediação da Igreja Católica, o Governo cubano libertou 52 presos políticos que estavam detidos desde a ‘Primavera negra’ de 2003. O Avante!, mais papista que o Papa, aproveitou a ocasião para insultar esses cidadãos cubanos que conheceram os cárceres da ditadura castrista. Chama-lhes “mercenários”, que foram “pagos a peso de ouro pelos EUA”. E garante aos seus leitores que não são presos de consciência, como diz a Amnistia Internacional: são pessoas que “receberam de países estrangeiros (os EUA) fundos e materiais para conspirar contra o Estado cubano”. Com este fraseado e esta terminologia, o jornal oficial do PCP desacredita a própria luta dos seus militantes contra a ditadura salazarista. O Diário da Manhã é que costumava transformar os presos de consciência em “mercenários” ao serviço do estrangeiro, negando os relatórios de organizações de direitos humanos como a Amnistia Internacional. Muitos comunistas portugueses certamente coram de vergonha ao lerem hoje o Avante!»
