DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Adolfo Mesquita Nunes: «Tenho estranhado o facto de o tom afectado de Isabel Alçada, que nem mesmo Ana Bola, nos velhos tempos, conseguiria igualar, ter passado ao longo destes meses despercebido aos gozões do costume. Parece que o tom afectado só é risível quando dextro. Mesmo que em vez de “carreiras” se diga “carráiras”.»

 

Carlos Azevedo: «Enquanto escrevo, ouço Sabia, integralmente composto por canções brasileiras, gravado por [Susannah] McCorkle em 1990, e penso nas palavras sábias de Agustina Bessa-Luís: “Tanta coisa o naufrágio do tempo deixa na praia onde andávamos de pés nus, sem nos magoarmos. Magoamo-nos depois, no cristal das ondas altas”.»

 

João Campos: «Não nutro particular simpatia por Obama, mas há que reconhecer: aquele discurso, para todos os efeitos excelente, seria impossível em Portugal. Por vários motivos, dos quais destaco dois: não temos um político em actividade capaz de produzir e ler um discurso daqueles (o que é pena); e não temos ninguém em cargos políticos na área da Educação que considere que os alunos tambem têm deveres e responsabilidades (o que é uma tragédia que nos vai sair muito cara).»

 

Sérgio de Almeida Correia: «A entrevista que Carlos Queiroz deu esta noite a Judite de Sousa é um pouco, à maneira de Clausewitz, a continuação do processo Casa Pia por outros meios. Substitui-se o Cruz pelo Queiroz e o martírio continua. Enquanto houver um Carlos a fazer de bombo da festa o povo continua entretido, os “paineleiros”, a expressão não é da minha lavra, dizem que não são juristas e cada um deles vai dizendo de sua justiça durante horas a fio. Tudo o que se passa actualmente com o polivalente Laurentino, com o sofrível Madaíl ou com a tal de ADoP (a sigla é com minúscula no meio), traduz bem o país de carlinhos em que nos tornámos. E resume-se a uma única palavra: trapalhada.»

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