DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Margarida Craveiro: «O Marcelo Rebelo de Sousa é um fenómeno fantástico. É o verdadeiro treinador de bancada, profissional do comentário sobre a acção dos outros. Não se chega à frente, não consta que tenha ganho eleições, mas está sempre muito activo. Eu faria isto, eu diria aquilo; o outro esteve mal, o outro não sabe o que faz. Ai, eu seria completamente diferente. Faz-me lembrar aquele anúncio da Sagres: eu ganhava ao PS com a minha avó e o cão às costas, ao pé coxinho, se possível até de olhos fechados. Mas nunca vou tentar, e assim ninguém me pode desmentir. Ah, aquela liderança não me ouve e dá-se mal. Pois.»

 

André Couto: «Mais de uma semana depois, o colectivo de juízes do processo Casa Pia continua sem dizer aos arguidos o porquê dessa decisão, ou quais as situações que foram dadas como provadas. Depois de sete longos anos de espera num longo julgamento dentro e fora dos tribunais, sete longos de dias de espera pela fundamentação, espera essa sem fim à vista.»

 

João Carvalho: «O que é que mudou? Os autores policiais em edições populares à prova de areia, os assaltos inteligentes e empolgantes, a temperatura da água do mar? É evidente que mudou a idade. Na minha estação da vida, o meu Verão continua a ser para leituras estivais, mas já me dou ao luxo de ser como eu quero. Ou melhor: foi sempre como eu quis, mas agora dou-me ao luxo de dizê-lo sem ficar a ruminar disfarçadamente qualquer fastio só porque os outros acham que sim. Não vou em modas nem preciso de currículo intelectual.»

 

João Eduardo Severino: «Em 1988 chamaram-me louco porque decidi meter-me a caminho entre Macau e Lisboa a bordo de um UMM. Atravessei o Império do Meio, num tempo em que rareavam estradas, telefones, hotéis, carros e homens ricos. Uma China imensa cheia de exército, deserto, miséria, trabalho escravo, experiências nucleares e muito comunismo. Nos Himalaias, a seis mil metros de altitude, senti a morte por perto, à semelhança do que se passou perto da fronteira com o Afeganistão e no Irão. Homens armados eram mais que as tempestades de areia. Os revolucionários do Irão obrigaram-me a beijar a fotografia do ayatollah Khomeini mais de uma dezena de vezes. E ainda não existia o Bin Laden.»

 

Luís M. Jorge: «Cinco anos e meio de governos PS, de decadência económica, de autoritarismo tacanho, de negociatas impudicas, de demagogia saloia, seriam um colírio para qualquer grande partido da oposição. Mas, chamar partido ao PSD é uma clara desmesura.»

 

Eu: «Franco Nogueira não foi – nem pretendeu ser – isento. A sua admiração por Salazar era notória. Os seis volumes que redigiu padeciam de um defeito simétrico ao das inúmeras obras surgidas nos anos imediatamente após o 25 de Abril destinadas a diabolizar o ditador sem proporcionar aos leitores dados suficientes que lhes permitissem tirar as suas próprias conclusões. É precisamente o que Ribeiro de Meneses se propõe nesta biografia de quase 800 páginas divididas em 13 capítulos agora lançada pela Dom Quixote. Tarefa facilitada, desde logo, por uma característica geracional: o autor nasceu em 1969, um ano antes da morte de Salazar, e por isso consegue estudá-lo com a mesma distância analítica com que qualquer de nós olharia (por exemplo) para o Marquês de Pombal ou Fontes Pereira de Melo.»

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