
Ana Margarida Craveiro: «[Fidel] Castro está preocupado com o rumo dos acontecimentos no Médio Oriente, particularmente com a escalada para um eventual conflito aberto. O mais interessante é que, pesem embora as culpas do grande Satã americano e do seu aliado regional, Israel, Castro aponta baterias ao Irão, denunciando a ignorância destes em relação ao problema judaico de insegurança. E claro, reconhece o direito inequívoco de existência de Israel. É a reinvenção do mito, aos 84 anos.»
Ana Vidal: «É quase um caso de omnipresença: [Carlos Cruz] está na abertura de todos os telejornais, está em conferências de imprensa, está em todos os debates sobre o assunto, está na net (com um site em que promete escândalos e revelações inauditas, e por isso regista diariamente um número de visitas astronómico), enfim, tem todo o tempo de antena que quiser. E, naturalmente, gere tudo isto com a mestria de quem trata as técnicas de comunicação por tu: o tom de voz, o jogo fisionómico, as palavras escolhidas a dedo e doseadas em teasers a preceito, etc., etc., etc. Pergunto: qual dos outros condenados do processo Casa Pia tem acesso a tantos privilégios? O mediatismo tem vantagens e desvantagens, porque os paus têm quase sempre dois bicos.»
Henrique Raposo: «No clássico [filme 3:10 to Yuma], o bandido é bandido porque assim o escolheu. Mas, hoje, as nossas sociedades são incapazes de aceitar que alguém escolha livre e conscientemente um caminho, digamos, sinuoso. As pessoas não querem aceitar que, por exemplo, a vontade de poder tem vários caminhos, e muitos desses caminhos são ilegais e ilegítimos. Donde a relação causa-efeito do remake: Wade é um bandidolas, porque (e só porque) foi maltratado pelos pais. No filme de 1957, temos um indivíduo. Neste filme de 2007, temos uma pulsão psicológica. Ou seja, não temos ali uma personagem, mas um tomo de má psicologia. O mundo, meus amigos, era tão melhor antes da vulgarização de Freud e afins.»
Luís M. Jorge: «Os nossos comentadores, insatisfeitos com o julgamento dos pedófilos da Casa Pia, querem agora acalmar as suas inquietações no Prós e Contras, em sites com filmes proibidos e na doce ruminação das conferências de imprensa. É fácil desqualificar um veredicto, em especial se tiver duas mil páginas que ninguém leu. Há sempre pormenores suspeitos, merdas infundadas, contradições fulgurantes. A justiça é complexa? Felizmente a televisão é simples. Carlos Cruz, como peixe na água, agradece-nos.»

Não foi há 10 anos foi há 11 mas foi um episódio para recordar.
A Tourada
Querem ouvir uma estória
Verdadeira e sem contornos
Escutem esta do Ministro
Quando fez um par de cornos
Aconteceu no parlamento
Num diálogo gestual
O Ministro por um momento
Imitar um animal
Como a estória começou
Ninguém me sabe dizer
Mas aquilo que se passou
É como eu vou descrever
O Bernardino comunista
Disse ao Pinho da economia
Não sei o que tenho na vista
Que só vejo é porcaria
O Pinho virou-se e disse
Acho que tu queres é festa
E pôs os indicadores em riste
Mesmo mesmo ao lado da testa
Até que o Sócrates baixinho
Disse ao parceiro de bancada
Vou levar daqui o Pinho
Para acabar com a tourada