DELITO há dez anos


Pedro Correia,

21523202_SMAuI.jpeg

 

Ana Margarida Craveiro: «[Fidel] Castro está preocupado com o rumo dos acontecimentos no Médio Oriente, particularmente com a escalada para um eventual conflito aberto. O mais interessante é que, pesem embora as culpas do grande Satã americano e do seu aliado regional, Israel, Castro aponta baterias ao Irão, denunciando a ignorância destes em relação ao problema judaico de insegurança. E claro, reconhece o direito inequívoco de existência de Israel. É a reinvenção do mito, aos 84 anos.»

 

Ana Vidal: «É quase um caso de omnipresença: [Carlos Cruz] está na abertura de todos os telejornais, está em conferências de imprensa, está em todos os debates sobre o assunto, está na net (com um site em que promete escândalos e revelações inauditas, e por isso regista diariamente um número de visitas astronómico), enfim, tem todo o tempo de antena que quiser. E, naturalmente, gere tudo isto com a mestria de quem trata as técnicas de comunicação por tu: o tom de voz, o jogo fisionómico, as palavras escolhidas a dedo e doseadas em teasers a preceito, etc., etc., etc. Pergunto: qual dos outros condenados do processo Casa Pia tem acesso a tantos privilégios? O mediatismo tem vantagens e desvantagens, porque os paus têm quase sempre dois bicos.»

 

Henrique Raposo: «No clássico [filme 3:10 to Yuma], o bandido é bandido porque assim o escolheu. Mas, hoje, as nossas sociedades são incapazes de aceitar que alguém escolha livre e conscientemente um caminho, digamos, sinuoso. As pessoas não querem aceitar que, por exemplo, a vontade de poder tem vários caminhos, e muitos desses caminhos são ilegais e ilegítimos. Donde a relação causa-efeito do remake: Wade é um bandidolas, porque (e só porque) foi maltratado pelos pais. No filme de 1957, temos um indivíduo. Neste filme de 2007, temos uma pulsão psicológica. Ou seja, não temos ali uma personagem, mas um tomo de má psicologia. O mundo, meus amigos, era tão melhor antes da vulgarização de Freud e afins.»

 

Luís M. Jorge: «Os nossos comentadores, insatisfeitos com o julgamento dos pedófilos da Casa Pia, querem agora acalmar as suas inquietações no Prós e Contras, em sites com filmes proibidos e na doce ruminação das conferências de imprensa. É fácil desqualificar um veredicto, em especial se tiver duas mil páginas que ninguém leu. Há sempre pormenores suspeitos, merdas infundadas, contradições fulgurantes. A justiça é complexa? Felizmente a televisão é simples. Carlos Cruz, como peixe na água,  agradece-nos.»

Um comentário em “DELITO há dez anos”

  1. Não foi há 10 anos foi há 11 mas foi um episódio para recordar.

    A Tourada

    Querem ouvir uma estória
    Verdadeira e sem contornos
    Escutem esta do Ministro
    Quando fez um par de cornos

    Aconteceu no parlamento
    Num diálogo gestual
    O Ministro por um momento
    Imitar um animal

    Como a estória começou
    Ninguém me sabe dizer
    Mas aquilo que se passou
    É como eu vou descrever

    O Bernardino comunista
    Disse ao Pinho da economia
    Não sei o que tenho na vista
    Que só vejo é porcaria

    O Pinho virou-se e disse
    Acho que tu queres é festa
    E pôs os indicadores em riste
    Mesmo mesmo ao lado da testa

    Até que o Sócrates baixinho
    Disse ao parceiro de bancada
    Vou levar daqui o Pinho
    Para acabar com a tourada

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *