DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Maria Condeixa: «O Estado é laico, bem sei, mas procria como uma família da Opus Dei. Aparentemente, e muito embora os distribua gratuitamente, não prescreve para si quaisquer meios contraceptivos que o impeçam de aumentar a prole. E longe de fazer um manguito a tudo isto, o português vai pagando em mensalidades do ordenado, e por via dos impostos, as sucursais que o Estado se vai lembrando de abrir.»

 

José Gomes André: «Há uns dias, dizia-me um amável comentador ser Copenhaga “a cidade perfeita”. Estaria disposto a corroborar esta opinião, não fossem dois pormenorzinhos: o clima e os preços. O clima dinamarquês prima pela diversidade: o céu pode ter nuvens escuras, nuvens muito escuras ou estar negro como breu; a chuva oscila entre miudinha, regular ou diluviana; a temperatura situa-se estavelmente entre os 16 e os 22 graus. Também há períodos de sol aberto, com a duração máxima de meia hora. E isto em pleno verão (nem quero imaginar um inverno copenhaguense). Se isto não é o purgatório climático, não sei o que possa ser.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «República é sinónimo de cidadania, de rigor, de justiça, de equilíbrio, de bom senso, de comportamentos éticos e morais acima de qualquer suspeita, públicos ou privados, em especial no que diz respeito aos titulares de cargos públicos, aos titulares de órgãos de soberania, aos dirigentes, sejam eles militares ou civis. Por isso mesmo entendo que a República tem de ser capaz de incutir nos seus generais uma outra mentalidade, uma outra postura, e obrigá-los a dar o exemplo.»

 

Eu: «O País precisa de “coesão e união de esforços”, diz Cavaco. A conjuntura actual “não está para brincadeiras”, diz o chefe do Governo. Na mesma toada de união. Nacional. Que Sócrates diga isto, entende-se. Mas ao Presidente, suposto árbitro do sistema, apetece perguntar como é que – em democracia – será possível “pôr de lado as divisões”. Vamos passar a pensar todos da mesma maneira? Para que há-de existir uma oposição a qualquer governo se o ideal, como preconiza Cavaco para levar a água ao moinho de Sócrates, é não haver “divisões”? Se não houver “divisões” sobre o Orçamento de Estado – principal instrumento da acção governativas – haverá “divisões” a propósito de quê?»

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