DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Carvalho: «Invariavelmente, o fundamentalismo exacerba-se quando se passa por cima dessa regra básica que é consagrar a diferença como um direito, para que o respeito pela diferença seja um dever. Ignorar esta regra é, afinal, desafiar os outros. Escusadamente. A violência é o passo seguinte.»

 

Leonor Barros: «Desde que se começou a aventar a hipótese de se fazer uma revisão ao Estatuto do Aluno, até ela ser efectivamente feita e finalmente promulgada pelo Presidente da República que não se fala de outra coisa. A bandeira principal, a pólvora, a panaceia que poria fim a todos os males do mundo, assim como uma banha da cobra que iria erradicar as enfermidades do mundo educativo estava aí, prestes a surgir e a repor a verdade do mundo e a justiça do universo: a distinção entre faltas justificadas e injustificadas. Da esquerda à direita, os líderes, sub-líderes, assessores dos líderes, amigos dos líderes e animais domésticos dos líderes políticos encheram as balofas bocas com palavras doutamente ignorantes e o povo cordato e obediente regozijou em júbilo com a mais esparvoada das mentiras.»

 

Rita Ferro: «Tentarei então explicar, com a moral bem arredada do assunto, como convém, para não mascarar, pouco que seja, o que sinto a este respeito: ao infiel, falta a consciência de que pode matar, e da forma mais bárbara; ao fiel, falta a noção – tão básica – de que uma infidelidade pode tornar o companheiro mais feliz, desde que a mentira o proteja. Para todos os efeitos, ambos os perfis são abjectos.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «O candidato [presidencial Francisco Lopes] é apresentado como electricista de profissão e quadro do partido. Sendo ele profissional do PCP desde Setembro de 1974, faz-me espécie que o candidato ainda seja apresentado como electricista. A não ser que durante todas estas décadas em que trabalhou para o partido também estivesse incumbido da instalação e fiscalização das instalações eléctricas nos centros de trabalho do PCP. Mas o “Colectivo” decidiu que fosse apresentado como tal e ele assume. Para o “Colectivo”, apresentar o candidato como electricista é a única maneira de ainda o manter ligado à classe operária, aos trabalhadores, àqueles que andam por aí a bulir à margem do “Colectivo”, pagando impostos, votando nos outros partidos.»

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