
Ana Margarida Craveiro: «É anormal termos gente que não abranda quando chove ou há nevoeiro; é anormal termos gente que acha que só pode conduzir se conseguir ver o branco dos olhos do condutor da frente; é anormal termos gente que não sabe andar dentro das velocidades máximas. E é anormal que um qualquer ministério se dê por contente com esta guerra civil. Perdemos, em média, duas pessoas por dia na estrada. E continuamos num qualquer “bom caminho”. Sem qualquer política de prevenção (as estradas estão feitas; falta arranjar portugueses a saber as regras de condução em segurança), sem qualquer endurecimento da repressão policial sobre quem põe em risco a vida de outros. Como se esta mortandade não fosse nada.»
Francisco Seixas da Costa: «Um amigo meu, estrangeiro, funcionário superior de uma organização internacional, notou que o seu passaporte era regularmente retido, nos controlos de fronteira, um pouco mais de tempo do que seria razoável. De início, achou estranho mas não se importou excessivamente. Porém, quando essa espera afetava as filas onde se colocava, levando a movimentos de impaciência dos restantes utentes, começou a ficar irritado e, simultaneamente, preocupado. Das vezes em que inquiriu dos controladores dos passaportes sobre a razão da demora, recebeu respostas vagas e nada esclarecedoras. Um dia, à chegada aos EUA com a mulher, a situação tornou-se caricata: foi mandado esperar isolado numa sala, foi sujeito a um interrogatório estranho e só foi libertado ao final de mais de uma hora de conversa. Viajar para o estrangeiro estava, assim, a tornar-se um pequeno pesadelo.»
João Campos: «A todos os níveis, Nightfall foi uma surpresa: é uma história extremamente bem contada, com personagens sólidas e um enredo surpreendente até ao final. Numa época em que os mais fracos argumentos dão origem a “filmes-catástrofe” de fraquíssima qualidade, não percebo como ainda ninguém pensou em adaptar, com a devida mestria, este conto ao grande ecrã.»
Eu: «Ter “Chico” Lopes como rival é uma excelente notícia para o actual Presidente da República. O PCP, após meses de “reflexão”, encontrou enfim o seu Defensor Moura: alguém totalmente irrelevante. Na prática, esta escolha constitui um brinde a Cavaco. Suponho que a esta hora Jerónimo de Sousa já terá recebido um telefonema de agradecimento de Belém. Não merece menos que isso.»
