DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Margarida Craveiro: «O ministro da Defesa português está apostado em rebentar com toda e qualquer missão que o Estado português tenha no estrangeiro. Parece-me mesmo que esta entrevista devia ser completada com a lista completa dos espiões referidos, junto com os respectivos currículos e fotografias. É que avisar meses antes de uma operação secreta não é suficiente. É melhor dar mais uma ajudinha, a ver se o Estado perde mais uns assalariados. E é sempre bom quando é o próprio ministro quem põe em risco as vidas de portugueses em missão.»

 

João Carvalho: «Com a nova tecnologia ao serviço do MNA, há-de ser peanuts a partir de agora saber tudo — das impressões digitais dos pés às matrículas dos automóveis — sobre corruptos, pedófilos, homicidas, contribuintes fraudulentos e outras figuras dos nossos dias, cuja segunda actividade, por ordem de importância, tem sido conseguir arrastar processos-crimes até lado nenhum. Portugal respira de alívio, mesmo que demore mais um tempinho a descobrir se as múmias eram boas ou más a Português e Matemática.»

 

Samuel de Paiva Pires: «O problema pouco ou nada tem a ver com a gestão ou limpeza dos terrenos. A esmagadora maioria dos incêndios advém de uma variável que é impossível de ser controlada ou evitada pelo Estado. Assim como é impossível alguma vez declarar a “Guerra Global contra o Terrorismo” como vencida, dado que o inimigo não tem um rosto definido e surge em qualquer lugar e em qualquer altura, julgo que é também impossível evitar definitivamente os incêndios. A montante, a abordagem para resolver a questão deverá ser descentralizada e focar-se ao nível da prevenção e vigilância. E, a jusante, a moldura legislativa e penal deverá também ser adequada para lidar eficazmente com estes terroristas.»

 

Eu: «A Venezuela vai a caminho dos 20 mil homicídios anuais, 95% dos quais permanecem impunes. Caracas, 11 anos após a subida ao poder de Hugo Chávez, é hoje a capital com mais assassínios no planeta. Mas a “justiça” venezuelana – braço do poder político – está preocupada com jornais como El Nacional, que abordam este tema com o destaque que consideram apropriado. Leia-se esta participação do Ministério Público chavista contra o jornal: está lá tudo. A começar pela apregoada preocupação com a “saúde psíquica e moral” dos cidadãos, que tanto soa aos eufemismos salazaristas para impor a censura à imprensa. Chávez, incapaz de assegurar a segurança nas ruas, procura em alternativa conseguir a “tranquilidade” nos escaparates dos quiosques – declarando guerra não ao crime, mas ao jornalismo que não se verga aos seus ditames.»

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