DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Margarida Craveiro: «Há dias, uma amiga protestante escrevia no blogue dela que, nos dias de hoje, ser coerente é ser, aos olhos dos outros, fundamentalista. Ela concluía com um assertivo seja. A Igreja católica há muito que gosta de massas. É bom ter igrejas cheias, e números confortáveis de crentes (mais baptizados que crentes, mas são as estatísticas que temos). No tempo de João Paulo II, o que interessava era chegar a todo o lado, ser simpático (no sentido de criar empatia) com todos. E lentamente foi escorregando nas concessões, aceitando tudo e todos.»

 

João Carvalho: «Debalde a oposição e os portugueses cada vez mais esqueléticos quiseram que o governo explicasse o aumento da despesa pública no primeiro semestre deste ano face a 2009. Por muitos e bons motivos que houvesse, ficámos com a única explicação dada pelo ministro das Finanças a ecoar nos ouvidos: que ainda não tinham sido aplicadas as medidas de austeridade. Teixeira dos Santos tem razão: ninguém adivinhava que era preciso poupar. Estamos bem entregues, lá isso estamos.»

 

José Pimentel Teixeira: «Longe vão os anos 2003-4 onde a gente apareceu desatinada a botar opiniões, frenética nas teclas, cada um pontapeando ou beijando o que que lhe ia na alma, tempos onde se afirmaram alguns manitus da opinão livre, desassombrada (idólatra que sou fiquei-me romeiro do jaquinzinho jcd, Lucky Luke do bloguismo, genial destruidor do anacletismo nacional). Os tempos foram passando e o colectivismo (nada liberal, diga-se) veio a impor-se no bloguismo, as grandes congregações bloguistas tornaram-se um must, na dita “esquerda” e na neo-dita “direita”.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Continua a ser entre nós um ilustre desconhecido. Mas talvez seja, com José Gil e António Barreto, um dos portugueses que melhor nos conhece. Em especial, porque consegue reunir numa só visão a interioridade transmontana com o cosmopolitismo europeu e a investigação académica. Os seus textos são tão discretos quanto o seu autor, o que, vendo a sua qualidade, só abona a favor de ambos. Poucos portugueses terão feito tanto por nós, pela nossa identidade e visão do mundo, como ele fez. Lá fora. (…) Rentes de Carvalho é um dos melhores.»

 

Eu: «São assim alguns auto-intitulados “libertadores do povo”, ainda tão venerados em certa escrita idolátrica dos nossos dias. O mínimo que lhes devemos chamar é ditadores. Sem aspas. A primeira linha de combate a qualquer tirania ocorre no vocabulário que escolhemos. E não há palavras inocentes neste combate.»

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