
Bandeira: «Não sei dizer como começou. Talvez com um pingo de papa no bibe da creche. Ou uma colher de sopa tocando o babete. Não importa. O que importa é que não me é possível sair de qualquer lugar onde sirvam refeições com a camisa ou a t-shirt na condição em que estava quando entrei. Resumindo, atraio as nódoas de toda a gente em redor de mim. Sou capaz de produzir uma mancha indelével munido apenas de uma pevide ou usando um pingo de água mineral.»
Luís Novaes Tito: «O Botas soube fazer a coisa. Nada do que é aproveitável, principalmente se for de baixo valor, deve ser deitado fora devendo esperar que se degrade irremediavelmente para não cometer pecado. Poupadinhos, pobrezinhos mas limpinhos, pacientes, agradecidos e atentinhos, tanto que ainda hoje se ouve dizer que o que nos faz falta é um Salazar, o que seria aceitável não fosse o estado de decomposição em que ele próprio já estaria nesta altura.»
Eu: «Dir-me-ão uma vez, dir-me-ão cem vezes: o caso Watergate é irrepetível. É escusado: quanto mais único, quanto mais insólito, quanto mais raro, mais me serve de referência. E continuará a ser o maior dos motivos por que um dia, já há muito tempo, decidi ser jornalista. Ingenuidade, talvez. Dou-lhe razão: podemos ser ingénuos em qualquer idade.»

O grande Bandeira! Onde pára esse génio?
Está em sabática, está em pousio.
E vá que o Bandeira nunca teve o azar de algum espertinho, desenroscar ligeiramente a tampa do pimenteiro ou do ketchap e quando se servia era pimenta e tomate por todo o lado
Eheh. Grande texto do Bandeira. Escreve tão bem como desenha.