
João Campos: «Sei que Lisboa é uma cidade difícil no que ao estacionamento diz respeito, mas estacionar em cima dos passeios não significa apenas que um tipo como eu, relativamente saudável, tenha de sair do passeio e caminhar no asfalto, junto aos carros que passam; significa, sim, que uma pessoa com um carrinho de bebé (por exemplo), um cego, alguém com muletas ou de cadeira de rodas está metida num sarilho. Normalmente, eu consigo desviar-me sem problemas. Mas há muita gente que não consegue. Para essas pessoas, os passeios, ricamente decorados com postes, sinais de trânsito, caixas de electricidade, caixotes do lixo e detritos variados, já são uma verdadeira prova de obstáculos.»
José Gomes André: «A Constituição não é um monolito intocável. Embora considere que os problemas de Portugal estão mais relacionados com deficiências da organização económica e social quotidiana, debater questões estruturais como o texto constitucional é mais do que pertinente.»
Sérgio de Almeida Correia: «A revisão constitucional que Passos Coelho apresenta ao país poderia ser uma ideia feliz se fosse cristalina e oportuna e se dela não se quisesse fazer depender o futuro de Portugal. Em rigor, Passos Coelho sabe que a maior ou menor dificuldade em governar depende do talento, da competência, do empenho e do sentido de responsabilidade de quem tem de o fazer. Se para outra coisa não servissem, trinta e seis anos de democracia e mais de duas dezenas de governos, entre provisórios e constitucionais, já o teriam demonstrado.»
