DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Carvalho: «Sendo certo que a extinção das instituições parasitas é uma medida essencial para a sobrevivência da nossa esperança e profiláctica para a saúde do nosso regime, parece-me que acaba de ser dado um bom sinal que já tardava. Fico satisfeito por ter dito o mesmo que Miguel Macedo. Ou vice-versa.»

 

Rui Costa Pinto: «Com a aproximação da votação do Orçamento de Estado para 2011, o governo está a tentar desviar as atenções através da promoção do debate ideológico. O discurso palavroso da defesa do Estado Social não cria postos de trabalho, não dá de comer a ninguém e não dá confiança no futuro. Falar de Estado Social quando o Estado está desacreditado, falido e empenhado é caricaturar ainda mais o actual cenário de crise. O que importa é a criação de emprego, a erradicação da pobreza e a possibilidade de acreditar numa velhice tranquila. Basta de mentiras, truques e ilusões.»

 

Eu: «A poucos quilómetros de Alcácer do Sal, numa recta interminável que nos conduz à Comporta, existiu em tempos uma escola do ensino básico que parecia plantada no meio do nada e hoje está transformada em restaurante. Sempre me admirei como nesse tempo já distante, em que não recebíamos fundos estruturais de Bruxelas, foi possível dotar de escolas todos os lugarejos deste país – até aquele, entre silvas e cardos. O edifício lá continua, como símbolo de uma época em que a escola era um marco de desenvolvimento cultural e não um fardo orçamental nem um alvo a abater com a mesma ligeireza com que se pôs fim à agricultura, às pescas e à exploração mineira neste país que importa 80% do que come. Há quem chame a isto progresso. Eu não. Para mim, progresso é o Corvo continuar a ter a sua escola. Apesar de ser uma ilha pobre, situada a milhares de quilómetros de Lisboa. Contra todas as macrocefalias, contra todas as improbabilidades estatísticas.»

2 comentários em “DELITO há dez anos”

  1. O Corvo não é uma ilha pobre. Foi-o há um século. Hoje não é.
    Os corvinos vivem no Corvo porque querem e porque gostam. Eles poderiam trocar a sua ilha por outra maior e de vida mais fácil, mas rejeitam-no.
    Saiba que as pessoas no Corvo têm uma expressão “trabalhar a metade”, que quer dizer, precisamente, que só trabalham durante metade do dia (ou de manhã, ou de tarde, consoante os gostos e as condições meteorológicas), porque ninguém lá precisa de trabalhar mais de metade do dia para prover ao seu sustento.
    Os corvinos têm todos familiares na América e alhures que lhes mandam dinheirinho. Com mais o peixe que é farto nas águas, e as vacas que crescem no vulcão, vivem bem melhor que a generalidade dos açorianos e dos continentais.

    1. “As vacas que crescem no vulcão” seria um excelente título para um livro dos pseudo-escritores que por aí polulam.
      Talvez o próprio Lavoura queira escrever um romance bucólico/rural com esse título.

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